terça-feira, 25 de outubro de 2011

Samhain Sabbath

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É o principal festival da Roda do Ano, o grande feriado da bruxaria, e também meu favorito. É regido pela morte e por isso suas honras se dão aos Deuses Negros (lembrando que na magia a cor negra não está relacionada à maldade, isso seria racismo, mas ao mistério, ao oculto).

Vou colocar um pequeno texto a respeito desse festival e de algumas divindades de sua regência retirado de um roteiro para a comemoração de um festival de Halloween que eu executarei nesse ano de 2011; mas deixo a promessa de postar mais e inclusive dicas de como comemorá-lo. Acho que dessa forma nós podemos iniciar a discussão desse festival e de suas energias, que, em geral, se relacionam com a morte, com o entrar dentro de si mesmo, e preparar para recomeçar. É o tempo que você tira, nem para os outros nem para as coisas, mas para a si mesmo, que hoje em dia, temos o hábito de achar que é desperdiçado...

Samhain (sau-heim), que significa “a morte do sol” é comemorado em 31 de outubro a partir de All Hallows Eve (Véspera de Todos os Deuses) passando por Halloween (Noite Santa: Noite dos Mortos); esse dia é considerado um Dia Fora do Tempo, pois foi dia 30 de outubro o último dia do Ano; enquanto se mostra a preparação para o Ano Novo que inicia em 1 de novembro. É em Halloween quando o véu que separa e distingue as coisas e os mundos fique mais tênue, quase dissolvido facilitando o contado com outros mundos, a ação mágica e até a viagem astral a outros reinos e mundos. Ao se entender a passagem e o que significa a Morte, entende-se Halloween.

Na noite de Samhain, a linha entre os mundos fica mais tênue e, com isso, os espíritos ancestrais podem vagar pela Terra livremente. Por esta razão, acendiam-se lanternas em abóboras (frutos da época), com carrancas e rostos monstruosos nelas, do lado de fora das casas: para que os espíritos conseguissem se guiar pela luz e por estes rostos que as pessoas julgavam ser “familiares” para eles, e assim encontrarem seu caminho de volta antes da manhã chegar. Por essa razão, também, as pessoas costumavam sair de suas casas nessa noite usando máscaras – inclusive as crianças. Para que os espíritos se sentissem mais “à vontade” e não decidissem assombrar ninguém.

A mitologia conta que nessa noite Cailleach, já poderosa e livre ao aprisionar Brigit dentro de uma montanha, encontra seu Cetro mágico e espalha com ele o frio e a morte pela terra, ensinando os homens lições sobre solidariedade, irmandade e cuidado. Dizem também que nesse momento ela fica perambulando pelas estradas e bosques testando o coração dos homens, mostrando sua forma verdadeira (pele azul, cabelos branco-esverdeados, um olho sobre a testa, dentes de lobo e garras de urso) oferecendo a cada um deles um abraço e abrigo para o frio, àqueles que fogem são por ela devorados, àqueles que enfrentam seu medo e vêem a dama por trás das aparências são acolhidos e abençoados, alguns chegando ao coito com a Deusa, mas nesse momento ela se transforma na mais bela das fadas revelando sua beleza interior. É também o momento que Cailleach, segundo as mais antigas mitologias, prova da primeira maçã nascida em Avalon (Ilha das Maçãs) fruto que dá a ela a imortalidade e a divindade mesmo muito antes do surgimento de Danann. Cailleach também é conhecida por testar o coração dos reis (líderes, nos dias de hoje) será responsabilidade de suas más administrações o não êxito das reservas e dos campos na superação do inverno (é culpa dos líderes as catástrofes pessoais e públicas que acontecem nesse momento), pois acredita-se que todo líder que não tenha bom coração ou boa regência desagrada a Deusa que o castiga através do povo, obrigando que ele se sacrifique para que seu sangue acalme a fúria da Deusa (hoje em dia, podemos colocar isso na imagem do líder que se retira). Essa Deusa é conhecida pela “bipolaridade”, trás vida e morte e é a grande regente de Samhain como soberana eterna sobre o mundo e sobre a vida e a morte. Nas lendas gardnerianas seria ela a própria personificação da Morte bem como a Senhora de seu mundo.

Temos, ainda nas mitologias celtas, a Deusa Morrigan, após a grande batalha e a morte de seu amado CuChulainn, em sua face tríplice como Morrigù (Morrigan, Macha e Badb), senhora dos caminhos, da morte, dos espíritos mortos, da passagem e grande governante e guardiã do Mundo dos Mortos ao lado de Gwyn Ap Nudd (Nuada, o mão de prata, filho de Belenus  (Belenos/Bel/Bilé) com Danann (Dana/Danu/Ana/Anann/Anu/Dôn) e Rei das Fadas). Dizem que é nesse tempo que Morrigan peregrina pelos cemitérios ensinando sobre a Morte e conduzindo os mortos para o Submundo. É costume ouvir relatos de pessoas a verem vestida de negro, branco ou vermelho escarlate perambulando pelos cemitérios, quase sempre com a imagem de uma bela e melancólica jovem de longos cabelos negros, pele branca como o luar e olhares profundos, às vezes, ladeada por enormes cães negros e corvos. Enquanto Morrigù leva os espíritos para o Submundo e abençoa os vivos com a Morte (através de seu beijo e sopro – a imagem da bênção da morte como sendo a verdadeira essência e sabedoria, a verdadeira paz e descanso prometidos, a mais bela das passagens prometidas ao homem), Gwyn Ap Nudd recebe os espíritos no Grande Saguão conduzindo-os pelos Reinos de Arawn, o grande Senhor do Submundo. É Nuada que revelará suas essências aos espíritos auxiliando-os a se desprenderem da forma física o mais rápido e fácil, e ajudando-os a redescobrirem suas verdades para que possam prosseguir, retornar ou lá descansar. Enquanto isso, Arawn conduz os espíritos revoltosos ao Pátio das Lamentações, onde eles poderão se lamentar e sofrer sem prejudicar ou assombrar os vivos. Desecrevem esse pátio como um local onde os espíritos se mutilam e deformam pela dor e saudade da terra, de onde, em geral, foram retirados de forma brusca e fora de seu tempo. Revoltosos pela própria morte e ameaçando fazer o caminho de volta são vigiados pelos grandes Sinistros (os cães negros) e por outros seres do Submundo com poderes e capacidade de ferirem a alma espiritual; e, segundo a lendas, seres em que Morrigan governa.

Paralelo, e ainda na lenda de Morrigan, dizem que ela também lava os corpos dos espíritos assaltados (mortos de forma brusca e violenta) para que eles sofram menos e para que se sintam acolhidos com o choro e lamento dessa Deusa. Afirmam também ser possível vê-la em riachos lavando corpos espectrais  daqueles que morrerão de forma violenta ou na batalha, já protegendo e anunciando a morte daquela pessoa. As lendas morganianas se assemelham muito às lendas lilithianas nas mitologias médio-orientais.

Existem várias outras divindades que intercalam esse Dia, coloquei aqui um pouco sobre algumas divindades dentro do panteão que eu sigo, divindades que cultuo nesse dia. Mas sinta-se livre!

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