terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Dicas para comemorar Yule Sabbath (in 2011)

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Yule é a verdadeira renovação. Tanto quanto Samhain, Yule representa um movimento de internalização, por mais que o nascimento esteja presente, o risco da morte ainda é eminente. O futuro é incerto e ainda é momento de se dedicar e se descobrir, de firmar suas bases, criar objetivos e começar a percorrer os caminhos para realizá-los.

O nascimento aqui é geralmente simbolizado pelo Sol que nasce após a noite mais longa do ano (hemisfério norte - solstício de inverno), mostrando que mesmo por trás da maior das escuridões a luz ainda pode ressurgir. Mas seu brilho é fraco, o domínio das Trevas ainda é forte e bem marcado. Mas é essa promessa que enche a Terra de esperança e de vida. 

A magia desse tempo nos ensina que nada pode abater o Ciclo. O destino bem traçado será alcançado, mas sacrifícios são necessários, não nos basta desejar, pois a terra não irá arar-se sozinha, será preciso trabalhá-la. Mas não podemos nos esquecer nunca das graças que os Deuses nos deram com sua regência de morte: a neve (hemisfério-norte) ajuda ao solo a regenerar-se e, mesmo não parecendo, possibilita a ele a retornar com fertilidade e fervor na primavera. Já no hemisfério sul, onde a neve é pouco presente, ainda mais nessa época do ano, são as chuvas que fazem esse papel, pois para além das estações do ano, a Terra, o Universo é um só corpo, e nasce e morre em conjunto, perceber esse ciclo, vai muito além de tabulações, é uma aplicação dos mitos na realidade local.

Claro que a ideia clássica da bondade, generosidade, amizade e cooperação também perseveram nesse tempo. No tempo dos antigos, e acho que ainda hoje, o frio e a neve (as chuvas) trazem problemas, muitas vezes relacionados a escassez, a catástrofes e a fome, então é hora de sermos generosos dividir o que temos com os que pouco tem, não é hora para sermos mesquinhos, se a promessa do Sol já nasceu com seu poder, por que não encher nossos corações com esperança e planejamento? Muito temos hoje, mas podemos ser nós a termos pouco numa próxima vez. A bondade está na lição de cuidarmos uns dos outros, com zelo e carinho, ensinando e aprendendo, em sermos sinceros e estar sempre com coração aberto, pois colhemos sempre o que plantamos.

Os mitos nos falam da presença clássica do Rei Azevinho, Rei Carvalho e da Mãe Berta nesse dia. O Rei Azevinho, que começa seu reinado em Samhain, mas só toma o poder em Yule, nos ensina o poder da escuridão, da morte e a necessidade da renovação. O Rei Carvalho, já bem velho, nos mostra que mesmo na mais tenra escuridão sempre existirá esperança e luz. E a Mãe Berta, ao contrário do Papai Noel, nos ensina que somos responsáveis pelos nossos atos, e por aquilo que cativamos; suas bênçãos são dedicadas àqueles que mantêm seu coração puro e honrado, enquanto ela transformará em carvão (morte com esquecimento) aqueles que não merecem honrar com a humanidade. Esses três personagens, lembra muito a lenda cristã das três fadas do Natal: Passado (Mãe Berta), Presente (Rei Azevinho) e Futuro (Rei Carvalho), que ensinam os homens a pensar em si e nos outros e a reconhecer e corrigir os erros do passado, por isso, Yule também é um tempo de perdão e recomeço. Outros personagens célebres desse dia nos falam da generosidade e do doar-se por completo, como o caso de Papai Noel, São Nicolau, Kris Kringles...

Muitos bruxos se perguntam: é certo associar Yule a Natal? Particularmente eu respondo: Por que não? A junção dessas energias é muito poderosa dada a sua proximidade e extrema semelhança. Além disso, grande parte do mundo estará com as energias voltadas para o Natal, que além de muito tradicional, mobiliza muita gente, grande parte dos lugares adotam o Natal como feriado, mas Yule passa-se quase sempre por um "dia útil"; além do mais, os Sabbats são Tempos, como grande meses, ou seja, Yule não acaba no amanhecer do dia 22 de dezembro, ele começa nesse dia! Dado por isso, se você não tiver a oportunidade de comemorar esse Festival em seu dia de origem, por que não incorporá-lo ao Natal? Mas claro, tome cuidado, faça ressalvas! Por mais semelhante que sejam as energias, elas não são as mesmas, não confunda nunca essas coisas.

E como comemorar Yule?

Ora, acho que isso o Natal nos ensina muito bem, decore muito bem sua casa, com luzes, brilhos e detalhes... As cores desse tempo são o verde (esperança e renovação), o vermelho (sangue do parto), marrom (a cor das vegetações desfolhadas, e de grande parte dos animais) e o branco (cor da neve que cobre a terra). Sempre-vivas e pinhas são sempre ótimas para essa decoração, além de guirlandas, velas, e o tradicional pinheiro enfeitado... Mas isso não seria natalino demais? Na verdade é o Natal que é yuliano demais, afinal essas tradições são bem anteriores ao Natal cristão.

O fogo é muito presente em Yule, é o presente do Rei Carvalho a humanidade, é a promessa da renovação, transformação e a luz sobre as trevas. Por isso é muito comum que se acendam fogueiras, tochas, velas ou mesmo caldeirões de fogo nesse dia, e é legal que deixe uma vela, fogueira ou algo do tipo aceso por toda a noite de véspera (dia 21) até o amanhecer de Yule (dia 22), e guarde sempre um restinho com você para colocar para queimar no ano seguinte (se for cinzas, guarde o quanto quiser, são ótimas em muitos encantos). É habitual também que se faça da noite um momento de festa e banquetes, enquanto também se vigia o fogo, para que jamais apague, para o sim ou para o não a festa é essencial: ou essa seria a última noite de vida (caso o sol não nasça ou nasça morto), ou essa é a noite da promessa e da esperança na vida (caso ele nasça e nasça vivo).

A troca de presentes pode ser entendida nos dias de hoje como o repartir o que tem com os outros (devemos entender que isso significa repartir o que temos para ajudar e aceitar a ajuda, os problemas também devem ser repartidos e não é desonroso tê-los). Por isso é sempre bom criar bons momentos, como amigo ocultos, ou mesmo a tradicional troca de presentes, mas recorde sempre do seu significado...

Passe uma noite agradável, festiva e farta. Se possível viva a noite toda, sem dormir, se não, cochile mas deixe sempre ao menos um fazendo a vigia do fogo. Se tiver crianças ou mesmo se tiver vontade, pode elencar e ensaiar três pessoas para encenarem o Mito dos dois Reis e da Mãe Berta, como descrevi melhor na postagem anterior sobre esse Sabbath, e/ou mesmo usar essa noite para contação de história e mitos, os antigos faziam muito isso. Seja criativo, é isso que conta nesse dia!

Esse também é um momento de meditação de traçar planos, metas e de persegui-las, por isso, ponha-se a pensar, e use esse momento para corrigir seus erros, deixar o passado no passado, e perdoar aqueles que ainda precisão ser perdoados.

Ao nascer do sol, saúde o Sol e beba de sua libação em honra ao Rei Azevinho, um vinho tinto (preferível), sidra, champagne ou mesmo água são sempre bons.


"Ó dia eterno, que a noite vem anunciar, 
Para a luz trate agora de ceder o lugar. 
Agradeço por tudo que nos deste então 
Pelas coisas que só podiam ser feitas pela escuridão.”

Repartilhe dessa libação com todos, mentalizando apenas bênçãos para si e para todos, pedindo também pela humanidade, pelos pobres (nunca esqueça de doar-se nesse dia).

E, por fim, saúde o sol!


“Ó Sol recém-nascido, de luz e amor! 
Apareça rápido no céu e eleve-se com vigor. 
Nas alturas ganhe bastante poder, 
Pois nosso amor e apoio você irá obter.”


E tenham todos um FELIZ YULE!

Yule Sabbath



É o segundo festival da Roda do Ano, que se inicia em Samhain. É regido pelo nascimento, ou renascimento após a morte em Samhain, e por isso suas honras se dão aos Deuses que representam o nascimento, tanto como filhos quanto como Mães.

Vou colocar um pequeno texto a respeito desse festival e de algumas divindades de sua regência retirado de um roteiro para a comemoração de um festival de Yule que eu executarei nesse ano de 2011; mas deixo a promessa de postar mais e inclusive dicas de como comemorá-lo. Lembro também que esse festival pode ser muito correlato com o Natal cristão...



Yule ou Jule: Comemorado em 22 de dezembro (comemorações iniciadas na noite de 21 de dezembro), no solstício de inverno (hemisfério norte). Representa o nascimento de Cernunnos. É o momento de ser altruísta, e por isso, é normal dedicar-se a festa aos outros e a troca de presentes (como uma forma de se doar a outrem). Desse modo, ao entender os mistérios do Nascimento se entende os desígnios de Yule. 

A maternidade é cercada de mistérios e obstinações, a Mãe é uma face plena e sorridente, esperançosa, mesmo no pior dos momentos, pois para ela tudo é possível, tudo é realizável, nada pode deter aquele que almeja. Por isso, mais do que um festival de doações e caridades, é também um festival de fixidez, ou seja, a morte se instaurou em Samhain, adentramos em nosso mais íntimo ser, e agora renascemos. Assim sendo, é essencial buscarmos um norte, um ponto fixo, uma conquista a ser almejada, superando e aprendendo com nossas dificuldades, amando com intensidade e vivendo. O que passou, passou, o passado ficou, Samhain trouxe novo giro à Roda e é em Yule que isso se fixa, é quando as mudanças idealizadas em Samhain, quando nossa voz mais íntima deve ser expressada, não em palavras, mas por atos; conquistando o espaço que precisaremos para garantir nosso sucesso no decorrer desse ano. Por isso, muitos povos, como os nórdicos, só comemoravam seu Ano Novo nessa data: a mudança agora é real, o renascimento é certo, e aquilo que conquistamos em nós mesmos na passagem de Samhain conduzirá o ano! Para além disso, é essencial saber que não se sai do lugar sem ajuda, não se aprende a erguer-se sem exemplo, não nos bastamos. Aprendemos, ensinamos, ajudamos e somos ajudados sempre: é essa a lição de Yule, considerado o festival do renascimento, do primeiro suspiro de vida, do recomeço, da fixidez e do perdão. 

A mitologia nos conta o nascimento de Cernunnos (celta). Cabe, nesse caso, esclarecer que a divindade é muito provavelmente muito mais antiga do que os celtas, e herdaram em si uma mitologia profunda e ampla. Dessa forma as mitologias que cercam Cernunnos são muitas e se confundem, misturam e recriam a cada momento, uma vez que ele também a base principal da concepção do “Deus” adotado pela Wicca. 

Falando da mitologia celta, as lendas contam quem Cernunnos nasceu diferente dos demais, era um Deus híbrido de humano, flora e fauna. Na vida adulta Cernunnos se casou posteriormente com a formosa Deusa da fertilidade e da maternidade Epona. Mas, em decorrer de suas tarefas, Cernunnos devia passar um tempo no submundo (morte) para regressar depois, nesse tempo, ele deixava sua esposa sozinha na Terra, e foi quando, pela primeira vez, ela o traiu com Esus / Albiorix, o Rei do Mundo; foi então que, segundo as lendas a galhada nasceu em Cernunnos, marcada e crescendo a cada traição de sua amada. Mas quando ele retornava ao mundo dos vivos, ela lhe voltava a ser fiel, e com isso, sua galhada caía. Essa passagem se refere principalmente ao ciclo dos Cervos, animal totêmico de Cernunnos, cuja galhada cai após o período de reprodução e torna a crescer quando esse período se aproxima, pois é usada na disputa pela fêmea apenas. 

Desse modo, é Cernunnos o Deus que rege o ciclo da vida mortal: nascer, morrer e renascer, é Ele que anuncia a esperança e a fertilidade que chegará após o inverno (hemisfério norte). No dia 22 de dezembro, solstício de inverno no hemisfério norte, portanto, é comemorado seu dia, seu Festival, mais do que sua história, simboliza seu nascimento como ser de música, alegria, fertilidade e amor que é e se renascimento como zelador e Senhor da vida na terra. 

Outro mito presente nessa época e, muito comumente celebrado na bruxaria celta, é a entrega do Cajado (símbolo de governo) do Rei Carvalho (Rei Velho, Rei Vermelho) para o Rei Azevinho (Rei Novo, Rei Azul). O Rei Carvalho rege a Terra durante a chamada parte clara do ano, que vai de Litha até Yule; é a parte da colheita, dos frutos e recompensas, da generosidade e sabedoria presentes no Carvalho (árvore símbolo do druidismo, de onde deriva inclusive o nome Druida no antigo gaélico). O Rei Azevinho rege a Terra durante a parte escura do ano, que vai de Yule até Litha; é o momento do arado, do plantio, do trabalho e da persistência presentes no Azevinho, em sua estrutura, em sua imponência, mesmo sobre o inverno. Entretanto, essa passagem de regência é interrompida pela Mãe Berta, uma velha profundamente rabugenta e vestida de preto, que repugna a humanidade por seu coração corrupto e por toda a desgraça e destruição que proporcionam a terra e a si mesmos. 

A lenda conta, que os Reis se encontravam no escuro de um bosque, na noite mais longa do ano, quando são surpreendidos por uma velha, quase cega e rabugenta xingando e blasfemando contra o homem, cuspindo no chão a cada xingamento e maldição que fazia. Assustados por tamanho ódio, os Reis vão ao encontro da velha. O Rei Carvalho oferece a ela o fogo para iluminar a mais densa escuridão, enquanto o Rei Azevinho, conduzindo os poderes da escuridão mostra o outro lado, a bondade humana e os bons corações que contrastam, limpam e purificam a sujeira deixada por aqueles cujo coração se corrompe com facilidade. Após isso, a noite passou quase toda e o cajado é entregue, quase no momento do nascer do sol. Graças a tudo isso, o Tempo de Escuridão recebe o Fogo presenteado pelo Rei Carvalho, a Escuridão e sua sabedoria dada pelo Rei Azevinho, e as bênçãos da Mãe Berta, que aprendeu a ver e distinguir os corações humanos, prometendo abençoar e presentear aqueles de coração puro (principalmente as crianças) e transformar em carvão aqueles que tiverem seus corações corrompidos (de onde vem a necessidade da crema na crença celta, significando a purificação dos erros pelo fogo). 

A partir dessa lenda, temos outros Deuses e personalidades que também se relacionam com o festival de Yule como o caso do Papai Inverno / Papai Noel, Kriss Kringle, São Nicolau, que representam as graças e bênçãos, principalmente relacionadas ao bom comportamento e/ou bom coração das pessoas.