domingo, 18 de março de 2012

Atena - a Deusa da guerra, da sabedoria e das artes


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Já que dia  19 de março também é Dia de Atena, decidi publicar essa homenagem. A postagem ficou bem grande. Mas acredito ser interessante! Mas se essa Deusa não desperta nenhum interesse em você, sinta-se à vontade para correr pelo Blog.

O texto e uma adaptação minha do que encontrei no blog Folklusitania.



ATENA, DEUSA DA GUERRA, DA SABEDORIA E DAS ARTES[1]

Atena era a Deusa grega da sabedoria e das artes conhecida como Minerva pelos romanos. Atena era uma Deusa virgem, dedicada a castidade e celibato. Era majestosa e uma linda Deusa guerreira, protetora de seus heróis escolhidos e de sua cidade homônima Atenas. Única Deusa retrata usando couraça, com pala de seu capacete voltada para trás para deixar a vista sua beleza, um escudo no braço e uma lança na mão.

Contradizendo com seu papel como uma Deusa que presidia às estratégias da batalha na época de guerra e às artes domésticas em tempo de paz, Atena era também apresentada com uma lança em uma das mãos e uma tigela ou roca na outra. Era protetora das cidades das cidades, das forças militares, e Deusa das tecelãs, ourives, oleiras e costureiras. Atena foi creditada pelos gregos ao dar à humanidade as rédeas para amansar o cavalo, ao inspirar os construtores de navios em sua habilidade, e ao ensinar as pessoas a fazerem o arado, ancinho, canga de boi e carro de guerra. A oliveira foi seu presente especial a Atenas, um presente que produziu o cultivo das azeitonas.


A Deusa Atena foi retratada com uma coruja, ave associada a sabedoria e de olhos proeminentes, duas de suas características. Cobras entrelaçadas eram apresentadas como um modelo no debrum de sua capa e escudo. Quando Atena era retratada com outro indivíduo, esse sempre era do sexo masculino. Por exemplo, era vista perto de Zeus na atitude de um guerreiro de sentinela para seu rei. Ou era reconhecida atrás ou ao lado de Aquiles ou de Odisseu, os principais heróis gregos de Ilíada e da Odisséia.

As habilidades bélicas e domésticas associadas com Atena envolvem planejamento e execução, atividades que requerem pensamento intencional e inteligente. A estratégica, o aspecto prático e resultados tangíveis são indicações de qualidades e legitimidade de sua sabedoria própria. Atena valoriza o pensamento racional e é pelo domínio da vontade e do intelecto sobre o instinto e a natureza. Sua vitalidade é encontrada na cidade. Para Atena, a selva deve ser subjugada e dominada. Atena era a filha predileta de Zeus, que lhe concedeu muitas das suas prerrogativas. Ela tinha o dom da profecia e tudo que autorizava com um simples sinal de cabeça era irrevogável. Ora conduz Ulisses em suas viagens, ora ensina às mulheres a arte de tapeçaria. Foi ela que faz construir o navio dos Argonautas, segundo seu desenho e coloca à polpa o pau falante, cortado na floresta de Dodona, o qual dirigia a rota, advertindo perigos e indicando os meios de os evitar. Era na cidade de Atenas que seu culto foi perpetuamente honrado: tinha seus altares, as suas mais belas estátuas, as suas festas solenes e um templo de notável arquitetura, o Partenon. Esse templo foi reconstruído no período de Péricles.


NASCIMENTO MITOLÓGICO

Zeus ingere sua primeira esposa, Métis (que estava grávida), uma Titã, na esperança de prevenir o nascimento de um futuro rival. Mas esse ato de integração tem uma conseqüência imprevista: um dia, Zeus tem uma dor de cabeça lancinante e logo dá à luz, pela cabeça, o feto que estava no útero de sua primeira esposa. A criança que nasce já madura da cabeça do pai é Atena, a filha consumada do pai. A Deusa não conheceu sua mãe, Métis.

Nesse primeiro relato do mito, o ato de engolir a esposa grávida e a filha nascer da cabeça do pai, nos faz lembrar do nascimento de Eva da costela de Adão. É bem sugestivo que tanto Atena como Eva se associem com a serpente: as vezes a serpente inclusive podia aparecer no lugar de Atena, e na Gênesis a serpente tem, as vezes, o rosto de Eva, enquanto que o significado que são dadas as essas imagens são muito diferentes. Porém, em ambos os mitos a Mãe Natureza perde força e o macho se apropria de seus poderes como doadora de vida. Esse mito é o maior testemunho do momento histórico em o patriarcado se impõe sobre a ordem anterior (matriarcado). Entretanto, conforme o mito vai se desenrolando, Atena torna-se uma boa companheira para seu pai e uma das mais íntimas conselheiras. Essa história nos conta, especificamente, de como a consciência lunar desenvolve-se dentro da solar, dominante. É Atena que introduz na psique dominada por Zeus um elemento de interioridade reflexiva que suaviza o elemento opiniático-recriminador da posição solar dominante.

ATENA E PALAS

Habitualmente, considerava-se Atena e Palas como o mesma divindade. Os gregos até juntaram os dois nomes: Palas-Atena. Entretanto, muitos poetas afirmaram que essas duas divindades não poderiam ser confundidas. Palas, chamada Tritônia, de olhos verdes, filha de Tritão, fora encarregada da educação de Atena. Ambas se apraziam nos exercícios das armas. Certa vez, conta-se que elas se desafiaram. Atena teria saído ferida se Zeus não tivesse colocado a égide diante de sua filha; Palas ao ver tal ficou aterrorizada, e enquanto recuava olhando para a égide, Atena feriu-a mortalmente. Veio-lhe depois um profundo sentimento de culpa e para se consolar fez esculpir uma imagem de Palas, tendo a égide sobre o peito. Consta que é essa imagem ou estátua que mais tarde ficou sendo o famoso Paládio de Tróia.

CONSCIÊNCIA LUNAR OU MATRIARCAL

É toda aquela que não prioriza os padrões coletivos e pode até rebelar-se contra o convencional e repudiar o coletivo. Ela surge geralmente de forma compulsiva e irracional. No nível lunar a consciência mantém-se sempre livre, criativa e imprevisível. A consciência lunar, nas tradições patriarcais, só se dirigem a nós via inconsciente, em sonhos, eventos espontâneos, anseios instintivos e através de inibições que encerram esses anseios.
CONSCIÊNCIA SOLAR OU PATRIARCAL
A consciência solar possui os valores nela contidos pela mão da tradição coletiva. Esses valores podem estar escritos e codificados, se a cultura for alfabetizada e em histórias e mitos, como é o nosso caso, se processa pela tradição oral. A consciência solar adapta um indivíduo à sociedade, mas também pode torná-lo um tirano primitivo ou um assassino de nosso "ego" com seus fatigantes raios de reprovação. A consciência solar tem sido identificada tradicionalmente como um traço da tradição monoteísta da cultura ocidental, e atua para apoiar a atitude monoteísta predominante da consciência coletiva.
ZEUS E ATENA

Zeus, na mitologia grega, repete os padrões de comportamento de seu pai Chronos e de seu avô Urano. Como eles, destinatários de um oráculo segundo o qual um filho os destronará, Zeus teme por sua autoridade. Quando Métis engravida, ingere-a, imitando assim o procedimento do pai Chronos, que engolia os filhos. Se a estratégia defensiva de Chronos era cooptação das novas possibilidades de vida, já Zeus é bem mais eficiente, pois tenta incorporar o elemento feminino propriamente dito, a mãe de novas possibilidades. O que pode até parecer um ato de integração, é na verdade um inteligente golpe com a intenção de privar o inconsciente de seu poder criativo. Zeus pensava em integrar os desafios e as resistências inconscientes compondo-os em uma aliança com a atitude dominante, utilizando inclusive o inconsciente para suas metas. Logicamente fracassa, pois não contava com a implacável hostilidade das "mães" da consciência lunar e dá à luz a Atena: o "justo equilíbrio". Diferentemente de Zeus, Atena tem um ativo interesse pelas questões da humanidade e é ela que intervém no trágico destino de Orestes, perseguido pelas Erínias, que acabou sendo julgado por ter praticado matricídio:

"Orestes, uma vez já o salvei
Quando fui árbitro das colinas de Ares
E rompi o nó votando em seu favor.
Que agora seja lei: aquele que obtém
Um veredito igualmente repartido ganha
Sem causa."
(Eurípedes, "Ifigênia em Taurus", 1471-1475)

A nota de misericórdia nessa fala indica sua propensão a favorecer a manutenção das possibilidades de vida e a deixar transpirar a inclinação de Atena para a adoção prática da função de consciência lunar nos assuntos atinentes à justiça. Entretanto, a Deusa Atena dentro do mundo do Olimpo é profundamente influenciada por sua inquestionável aliança com o pai. Atena pertence ao pai, Zeus. Por conseguinte, Atena é uma Deusa que representa uma versão pouco expressiva da consciência matriarcal. Ela representa, na realidade, uma tentativa de fazer com que a consciência solar incorpore alguns aspectos da consciência lunar. Atena amplia os horizontes de Zeus, interioriza e suaviza o cosmo patriarcal, mas não desafia de maneira fundamental os pressupostos olímpicos. Em vez disso, ela lhe oferece apoio e introduz no seu mundo da consciência um pouco de reflexão estratégica e momentos de interioridade.
ATENA E ARACNE 

Como Deusa das Artes, Atena foi desafiada numa competição de destreza por uma tecelã presunçosa chamada Aracne. Ambas trabalhavam com rapidez e habilidade. Quando as tapeçarias ficaram terminadas, Atena admirou o trabalho impecável de sua competidora, mas ficou furiosa porque Aracne ousou ilustrar as desilusões amorosas de seu pai, Zeus. Na tapeçaria, Leda está acariciando um cisne, uma simulação para Zeus, que tinha entrado no dormitório da rainha casada disfarçado de cisne para fazer-lhe a corte. Um outro painel era de Dânae, a quem Zeus fecundou na forma de um chuvisco dourado; um terceiro representava a donzela Europa, raptada por Zeus disfarçado na forma de um majestoso touro branco. O tema de sua tapeçaria ocasionou a ruína de Aracne. Atena ficou tão brava que rasgou todo o trabalho de Aracne e a induziu a enforcar-se. Depois, sentindo pena, Atena deixou Aracne viver, transformando-a em aranha, condenada para sempre a tecer. Observamos aqui, novamente, o comprometimento do julgamento da Deusa Atena com os princípios solares de Zeus, a tal ponto de esquecer-se de quem ela exatamente é. Como defensora categórica do pai, ela pune por tornar público o comportamento ilícito de Zeus, sem questionar o desaforo do próprio desafio.



DEUSA-TECELà
Como Deusa-tecelã, Atena, envolvia-se em fazer coisas que eram ao mesmo tempo úteis e belas. Era muito admirada por suas habilidades como tecelã, onde as mãos e o cérebro devem trabalhar juntos. Para se fazer uma tapeçaria ou tecelagem, a mulher deve esquematizar e planejar o que fará depois, fileira por fileira, criá-la metodicamente. Esse método é uma expressão do arquétipo de Atena, que dá ênfase à previsão, planejamento, domínio da habilidade e paciência. As habitantes da fronteira da Grécia que teciam, criavam roupas e faziam praticamente tudo que era usado por suas famílias, incorporavam Atena em seu domínio doméstico. Lado a lado com seus maridos, elas desbravavam a terra selvagem, dominando a natureza conforme prosseguiam. Sobreviver e ser bem sucedido requer os traços da Deusa Atena. A Deusa não só ensina a tecer, mas também a trabalhar a lama, inventou as bridas e o carro de cavalos, ajudou na construção do cavalo de madeira com que se derrotou Tróia e construiu o primeiro barco. 
ATENA E HEPHAESTUS 
Durante o período da Guerra de Tróia, a Deusa Atena dirigiu-se a Hephaestus, para que forjasse seu arsenal. O Deus do fogo, aceitou o encargo e se pôs a trabalhar, apaixonado pela bela e decidida Deusa. Poseidon encorajou-o mais ainda ao dizer-lhe que Atena desejava ser possuída por ele. Quando a Deusa se prontificou a pagar pelo trabalho, o Deus da Forja disse que receberia tão somente seu amor como símbolo de gratidão e lançou sobre Atena tentando violá-la. A Deusa afastou-o energicamente, mas não antes que o seu sêmen caísse acidentalmente em seu pé. Ela limpou-se com suas vestes de lã, mas um pouco do esperma caiu na terra. Gaia (a Terra), ao receber o sêmen, imediatamente engravidou. Gaia deixou claro que não ia aceitar o filho resultante daquela estupidez e Atena sentindo-se responsável pelo incidente, tomou a decisão de cuidar da criança, tão logo Gaia a tivesse. O recém-nascido, recebeu o nome de Erictonio, foi levado do Olimpo até a corte do rei Cécrope, para mais tarde ocupar o trono de Atenas, como sucessor de seu pai adotivo. Erictonio, foi o primeiro rei mítico de Atenas, que por peculiar concepção possuía a mesma Terra, como mãe e pátria. Desse modo, não é possível remontar a linhagem grega até a geração de um "pai", e sim até a pátria na sua totalidade, que em comum lhes pertencia, e da qual admitiam ser originários. Não seria necessário dizer, que essa idéia prestou um grande serviço para minimizar a importância social e histórica do papel da mulher. Essa crença dos homens gregos também teve conseqüências políticas e militares muito benéficas para a sobrevivência da "polis". Entre elas, a confirmação do dever de todo o cidadão de defender sua pátria do ódio dos bárbaros. 
FESTIVAIS EM HONRA A DEUSA ATENA 
Durante as Panathenaias, festas solenes dedicadas a Deusa Atena, todos os povos da Ática, corriam a Atenas. Essas festas, a princípio só duravam um dia, duração que mais tarde, a partir de 565 a.C, passou para cinco dias, de 19 (dezenove / dia de Athena) a 23 (vinte e três) de março. Distinguiam-se as Grandes e as Pequenas Panathenaias: as primeiras se celebravam de quatro em quatro anos, e as outras anualmente. Nessas cerimônias disputavam-se três espécies de prêmios: os de corrida, os de luta e os de poesia ou música. Os ganhadores recebiam vasos pintados cheios de azeite de oliva puro, produto da árvore sagrada da Deusa Atena. Os gregos antigos realizaram um "lampadedromia" (palavra grega para o condução da tocha), onde os atletas competiram passando com a tocha em uma corrida na condução à reta final.

Em Atenas antiga o ritual era parte importante da Festa Panathenaia. A grande atração desses festivais era uma procissão em que uma veste nova e bordada era confeccionada por um seleto número de mulheres atenienses, era carregada pela cidade em um navio ornado. Essa procissão estava representada nos frisos do Paternon. Os magistrados de Atenas ofereciam sacrifícios para Deusa e todos os serviços de seu santuário eram conduzidos por duas virgens eleitas por um período e um ano. 

A FILHA DO PAI

Talvez o maior diferenciação da Deusa Atena está em não ter conhecido e não ter convivido com a mãe, Métis. Na verdade Atena parecia não ter consciência de que tinha mãe, pois considerava-se portadora de um só genitor, Zeus. Na qualidade de tão somente "filha do pai", Atena tornou-se uma defensora dos direitos e dos valores patriarcais. Ela era o "braço direito" de Zeus, com crédito total para usar bem sua autoridade e proteger as prerrogativas dele. Muitas dedicadas secretárias executivas, que devotam suas vidas a seus patrões, são bons exemplos das convicções da Deusa Atenas. 

ATENA COMO DEUSA DA SABEDORIA
Levando-se em conta que as Deusas e Deuses são arquétipos que todo ser humano tem acesso, parece que o mito de Atena explora antes de tudo a qualidade da reflexão. Suas histórias constituem uma meditação sobre o valor do pensamento minucioso e pausado, o de ver muito além da reação imediata ante a um acontecimento. A Deusa encarna a virtude da contenção, e seus olhos "resplandecentes" são o emblema de uma inteligência lúcida que poder ver além da satisfação imediata. Atena oferece a seus protegidos o bom conselho, o pensar cuidadoso ou a previsão prática: a capacidade de refletir. A essa virtude se denomina "metis", derivado do nome de sua mãe e que podemos traduzir como "conselho" ou "sabedoria prática". Quando o arquétipo de Atena está ativo em uma mulher, ela mostrará uma tendência natural de fazer todas as coisas com muita moderação para viver em "justo equilíbrio", que era o ideal ateniense. O "justo equilíbrio" é também mantido pela tendência que possui a Deusa Atena de conduzir acontecimentos, notar efeitos e mudar de curso da ação tão logo ele pareça improdutivo. Além disso, é interessante notar que Atena chega ao cenário olímpico com esplêndida couraça dourada. Estar "encouraçada" é um traço marcante dessa Deusa. Foi seu grande desenvolvimento intelectual que a deixou longe do sofrimento, tanto seu como dos outros. No mundo competitivo em que vivemos o arquétipo de Atena tem indiscutível vantagem, pois a mulher-Atena (arquétipo ativo) não é uma mulher que é pessoalmente atingida por qualquer hostilidade ou decepção. Toda a mulher quando ferida ou insultada, pode tornar-se emotiva e menos efetiva. Na mesma condição, a mulher-Atena avalia friamente o que está acontecendo. Todas as pessoas que desejam desenvolver as qualidades da Deusa Atena, devem dar especial atenção à educação. Toda a instrução estimula o desenvolvimento desse arquétipo. Aprender fatos objetivos, pensar claramente, preparar-se para concursos e exames são todos excelentes exercícios que evocam Atena. 
CONCILIANDO-SE COM A "MÃE"
Na mitologia, a Deusa Atena era órfão de mãe e sentia orgulho por ter apenas Zeus como pai. Metaforicamente as pessoas tipo Atena também são "órfãos de mãe" de muitos modos. Mas é muito importante redescobrir a mãe e valorizá-la. A pessoa-Atena, geralmente deprecia sua própria mãe. Ela precisa descobrir as energias de sua mãe, muitas vezes antes que possa valorizar quaisquer semelhanças entre a mãe e ela mesma. Ela necessitará da conexão com esse arquétipo materno para experienciar a maternidade e sentir-se mãe profunda e instintivamente. É muito útil para mulher tipo Atena aprender que os valores femininos matriarcais, que existiam muito antes da mitologia grega. Adquirindo conhecimento de tais conceitos, ela poderá começar a pensar diferentemente sobre sua própria mãe e outras mulheres, e depois de si própria. Mudando seu modo de pensar, poderá também melhorar seu relacionamento com outras pessoas. 
MEDO DO FEMININO
Toda a ideologia do patriarcado concebe o "feminino" como uma força irracional destrutiva. Entretanto, a desvalorização do Feminino deve ser entendida como uma tentativa de superação do medo do Feminino e de seu aspecto perigoso como a "Grande Mãe" e como a "anima". No patriarcado, o inconsciente, o instinto, o sexo e a terra, enquanto coisas terrenas, pertencem ao "feminino negativo", ao qual o homem associa a mulher, e que todas as culturas patriarcais, até o presente momento, a mulher e o Feminino têm sofrido sob a atitude defensiva e o desprezo masculinos. Essa avaliação negativa não se aplica apenas ao caráter elementar e ao aspecto matriarcal, mas igualmente ao seu transformador. Para o homem, que considera-se "superior", a mulher se torna feiticeira, sedutora, bruxa, e é rejeitada em virtude do medo associado ao Feminino irracional. O homem denuncia o Feminino como escravizador, como algo confuso e sedutor, que pode colocar em risco a estabilidade de sua existência. Ele rejeita o feminino, especialmente porque ele o prende no casamento, na família e na adaptação à realidade, e o confunde quanto o pensar de si próprio. Como o indivíduo do sexo masculino é dominado pelo elemento espiritual superior, ele foge da realidade da terra e prefere ascender rumo ao céu. O resultado dessa postura unilateral, torna o homem não integrado que é atacado por seu lado reprimido e em muitas vezes sobrepujado por ele. A negativização do Feminino não deixa que o homem experiencie a mulher como uma igual, mas com características distintas. A conseqüência da altivez patriarcal leva à incapacidade de fazer qualquer contato genuíno com o Feminino, isto é, não apenas com a mulher real, mas também com o Feminino em si, com o inconsciente. Enquanto o indivíduo do sexo masculino não deixar desenvolver o Feminino (anima) em uma psique interior, jamais chegará a alcançar a totalidade. A separação da cultura patriarcal do Feminino e do inconsciente torna-se assim, uma das causas essenciais da crise de medo que agora se encontra o mundo patriarcal. 
VIVER DE ACORDO COM A DEUSA ATENA
Viver sob a influência do arquétipo Atena, significa viver inteligentemente e agir premeditadamente no mundo patriarcal. A pessoa que vive desse modo, leva uma vida unilateral e vive quase que exclusivamente para seu trabalho. Ainda que aprecie a companhia dos outros, falta-lhe a carga emocional, atração erótica, intimidade, paixão ou êxtase. A exclusiva identificação com a racional Atena desliga toda a mulher da cadeia e intensidade da emoção humana. Seus sentimentos são bem modulados por Atena, limitados ao meio-termo.

Agindo intelectualmente, a pessoa-Atena pouco sabe sobre a sensualidade, pois Atena a mantém acima do nível instintivo, e portanto ela não sente a força total dos instintos maternais, sexuais ou procriativos. Não há possessão no amor de Atena e inclusive quase nenhum desejo sexual. A pessoa-Atena pode ainda, produzir o "efeito medusa", ou seja, afastar as pessoas que não sejam como ela. Em seu peitoral, a Deusa Atena usava um símbolo do seu poder, a égide, uma pele de cabra decorada com a cabeça de uma Gógona, a cabeça da Medusa. A Górgona é também um aspecto da mulher tipo Atena. No nível psicológico, Atena é o arquétipo da pessoa artisticamente criativa. Para homens e mulheres, é o espírito da realização, da competência e da ação.

RITUAL DA SABEDORIA

Atena é a mais sábia das Deusas e todos nós podemos nos beneficiar atraindo algo de sua sabedoria e percepção para nossas vidas.

Os antigos gregos quando iam honrar a Deusa Atena em sua festividade, usavam roupas novas, como se assim se revestissem a si mesmo com sua sabedoria. Portanto, a primeira coisa que devemos fazer é comprar uma roupa nova digna de uma Deusa. Púrpura é a cor tradicional da sabedoria, sendo assim, é melhor que escolha algo dessa cor, ou pelo menos um detalhe ou bordado em púrpura [e azul é a cor de Athena]. Quando vestir seu traje novo pela manhã, pense que está se vestindo com a sabedoria de Atena. As azeitonas estão consagradas à Atena, assim, ao final do dia se sente com uma vasilha de azeitonas e invoque-a dizendo:

-"Ao comer essas azeitonas, peço-lhe que me enchas de sabedoria e astúcia, e que essas qualidades se mantenham durante todo o ano."

Coma as azeitonas uma a uma, e ao mesmo tempo reflita sobre as áreas de sua vida que podem se beneficiar com a sabedoria de Atena. 


ORAÇÃO A DEUSA ATENA 

"Deusa Atena, ouça a prece
De seu/sua seguidor/a mais humilde.
Glória Deusa Atena!
Busco seu amor, sua força, sua sabedoria.
Ajoelho-me aos teus pés, Athena, Deusa-Virgem,
Eu a venero e a respeito.
Sou teu/tua seguidor/a mais fiel. 
Abençoe minha casa e meus familiares
Ajude-me com meu trabalho, meus relacionamentos, minha vida."
"Athena, Hilathi!"



[1] Textos de Rosane Volpatto.

Morrigan - a Deusa da Guerra

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Bem meus amigos, o Dia de Morrigan - Deusa celta da guerra, da morte, da fertilidade, dos amores, da passagem, da magia e do sacerdócio - se aproxima... É agora dia 19 de março (mesmo dia em que se comemora o Dia de Athena, se der falarei sobre ela posteriormente). E como essa Deusa é também minha matrona, decidi fazer uma postagem sobre ela trazendo a vocês um brilhante texto retirado do site Templo do Conhecimento (que recomendo muito).

Antes de mais nada, bom dizer que, apesar dela ser uma Deusa bastante mal vista, ela nada tem para se preocupar ou temer. Assim como qualquer pessoa, quando bem tratada ela é extremamente amiga. Mas não devemos nos esquecer de que ela é Deusa da Morte e da Guerra e possui um forte lado vingativo, entretanto, ela também é deusa dos Caminhos, da Fertilidade e dos Amores.

Por experiência própria posso dizer que, apesar de nos ensinar quase sempre a partir do sofrimento (que é uma das melhores maneiras de se aprender na vida), ela sabe ser caridosa e incrivelmente amiga quando precisamos, assim como é capaz de brandir sua espada sem piedade quando somos ameaçados. Mas é uma divindade com quem devemos sempre ter cuidado extra, para além de tudo ela faz parte do arquétipo das Deusas Negras (regidas ou regentes da Lua Negra) e com isso pode sempre nos mostrar suas duas faces: a caridosa e amiga, e a destruidora e perversa.

Se você for uma pessoa capaz de se dedicar, empenhar, gostar de ter um tempo só seu e correr atrás de suas metas, certamente se dará muito bem com essa divindade e ela com você.

Morrigan faz parte de uma Deusa Tríplice formada por ela e suas duas irmãs (Badb e Macha) conhecida como Morrigù ou simplesmente Morigna (As Morrignas), que poderia ser uma correlata às Lâmias greco-romanas, responsáveis pela boa condução do destino e pela punição severa aos erros imorais da humanidade.

Cultuar essa Deusa não exige muitos sacrifícios, uma vez que ela é uma Deusa muito interna, dialoga muito com seu eu interior, mas eu recomendo boas danças, momentos de meditação bem profunda, uma boa ida ao Cemitério ou a bosques fechados (seus templos), uso das cores preta ou vermelho escarlate. Se quiser fazer uma oferenda a essa Deusa, pode usar de rosas (sua planta) - preferencialmente as rosas da noite, de um tom vermelho escuro e uma textura aveludada, velas pretas, e um pedaço de bife (ou outra carne) bem mal passado, de preferência ainda sangrando. O ideal é deixar essas oferendas perto de poços de água, bosques ou mesmo em cemitérios, e de preferência realizá-la a noite, após às 21:00h. Lembro também que Morrigan é uma Deusa extremamente sexual, por isso, aproveite! Mas atenção, se você for seguir caminhos guiado por essa Deusa, esteja pronto para cobranças constantes e muita dedicação...

Krummavisur Instrumental - Icelandic


Oração a Morrigan:

Sobre montes e sobre prados 
Veja o corvo voar, sinto a sua sombra 
Sobre bosques e sobre montanhas 
Procurando por uma guerra 

Suas asas abraçam cada luta e batalha 
Onde espadas se confrontam e carros batem 
Buscando a aquele em cujo tempo 
Chegou a ter a lâmina 

Morrigan antiga Deusa da guerra 
Eu vejo seu rosto, eu não vou chorar mais 
Morrigan antiga Deusa da guerra 
Venha me levantar em suas asas 

Morrigan antiga Deusa da guerra
Eu ouço sua voz, eu não respiro mais 
Morrigan antiga Deusa da guerra 
Venha libertar meu espírito 

Mate por Morrigan 
Mutile por Morrigan 
Lute por Morrigan 
Destruir por Morrigan 
Morrer por Morrigan 
Morrigan antiga Deusa da guerra.


Oração a Morrigan cantada (em inglês) - Omnia

MORGANA:

Por Ioldanach.
A Origem de Morgana
Desde os autores da Idade Média aos da literatura contemporânea nada se apresenta mais controverso do que a figura de Morgana , onde em algumas versões ela é tida como a grande vilã no enredo enquanto outros designam a ela o papel de fundamental aliada de Arthur. 
No principal documento que a cita historicamente, a saber o livro intitulado "Vita Merlini" (Vida de Merlin) de autoria de Geoffrey of Monmouth (1100 - 1155) , Morgana é apresentada como uma das nove irmãs que governavam um mágico lugar a que chamavam "ilha de maçãs" e que homens conheciam pelo nome de "A Ilha Afortunada" (o mesma é citada em "Navigatio Sancti Brendani" por São Brandão na narrativa de suas lendárias viagens aum Paraíso Perdido) pelo fato de que ali a Mãe Natureza nutria seus habitantes com tamanha abundancia que nem havia necessidade de cultivar a terra e nela passar o arado.
Morgana é aqui chamada de "Morgen" por Geoffrey , sendo descrita por ele como tendo notável beleza, extraordinários conhecimentos e incríveis poderes de mudar a sua própria forma. Seria ela uma espécie de líder e mentora de suas irmãs. Porém, a importância que dá a ela no "Vita Merlini" é secundária já que o texto concentra mais em falar de Merlin (praticamente só um parágrafo é gasto para mencioná-la) que encerra uma espécie de trilogia que deu inicio com "Prophetiae Merlini" (Profecias de Merlin) e passa por "Historia Regum Britanniae" (Histórias dos Reis da Britania).
Posteriormente a mesma personagem com certas mudanças é citada com um pouco mais destaque como "Morgawse" (vemos outros autores menos renomados a chama-la também de "Anna") por Sir Thomas Malory (1405-1471) em seu livro "Le Morte d´Artur" onde é compilado para o francês as sagas arturianas. Porém, seja qual fosse o nome o fato é que Morgana e outros personagens femininos figuram como secundários em face Arthur , Merlin e os Cavaleiros da Távola Redonda.
Tempos depois já no século XX a escritora norte-americana Marion Zimmer Bradley (1930-1999) tem a iniciativa de criar uma versão sob o ponto feminino das lendas arturianas em seu livro "As Brumas de Avalon" onde Morgana é finalmente elevada a condição de quase personagem central da estória só que assumindo a alcunha de "Morgana Le Fey" no enredo.

A Outra Face de Morgana

Ocorre que seja como Morgen, Morgawse, Anna, Morgana Le Fey ou qual for o nome, tomada como personagem principal ou mero coadjuvante na trama bem como também encarando seu papel como vilã ou heróina na vida de Arthur , o fato é que toda esta narrativa não passa de uma espécie de "releitura" de lendas bem mais antigas.
Nesta perspectiva, centrando a obra de Geoffrey of Monmouth como grande paradigma na criação da mitologia arturiana, pelo o qual outros escritores vieram depois para se inspirar pelos século afora, a tese mais aceita é que ele fez uma versão "franco-normanda" de mitos célticos e o mesclou com ficção histórica, ou seja, pegou lendas ancestrais e procedeu uma "revisão" nos eventos históricos de modo que lendas e fatos se misturassem como sendo uma só coisa. 
Seja quem fosse a Morgana como personagem histórica, partindo é claro do pressuposto que ela tenha de fato existido, não resta dúvida que Morrigan (ou se muito a sua versão galesa como "deusa Gwyar") é a principal base de inspiração para Geoffrey compor a personagem.

Evidências que comprovam esta ascendência mítica sobre Morgana são inúmeras que vão desde sua descrição física , seus poderes e atitudes que são bem típicos daqueles vistos em Morrigan. Leia-se , por exemplo, o poema "Morgan le Fay" de autoria de Madison Julius Cawein (1865 -1914) e vejam se "a sombra de Morrigan" não aparece lá:



De Samito[1] era feito o seu leito,
No seu cabelo um aro de ouro,
Como luminescência orgânica, no amarelo-torrado da luz do luar,
Era luzente e fria.
Com olhos cinzentos claros, ela olhava ameaçadora e fixamente;
Com lábios vermelhos claros cantava uma canção:
Qual era o cavaleiro que ao olha-la,
Não a receava?

MORRIGAN
Por Ioldanach
A Profecia de Morrigan
Ao final da épica batalha com Fomorianos segue uma cena não menos espetacular de Morrigan e sua irmã Badb correndo juntas para proclamar aos quatro cantos a vitória dos Tuatha Dé Danann, gritando para tanto do cume das montanhas mais altas da Irlanda.

Voltando a Tara (capital do reino dos Tuatha Dé Danann) Badb como uma menestrel improvisada , fortemente tão emocionada quanto inspirada pela importância daquele momento na vida de todos dananianos , cantou uma canção que assim começava e cujo o resto da letra se perdeu na poeira da história :
Paz sobe aos céus,

Os céus descem a terra,
Terra mora sob os céus,
Todos são fortes... 


Morrigan permanecia quieta ouvindo a bela canção de sua irmã, porém, enquanto todos eram só sorrisos transparecia um ar sombrio estampado na sua face que aos poucos atraiu atenção de todos ao ponto de cessarem suas celebrações para ver o que acontecia ali.
Voltou a reinar um silêncio sepulcral entre os danianos , sem que ninguém tivesse coragem de perguntar a Morrigan o que acontecia, quando sem aviso prévio a Grande Rainha em olhos marejados e voz embargada anunciou que teve uma visão sobre o que reservava o futuro para os Tuatha Dé Danann.
Na profecia Morrigan via o fim iminente da Era Divina dos Tuatha Dé Danann e o inicio de um tempo de miséria sem fim com mulheres sem pudor, homens sem força, velhos sem a sabedoria da idade e jovens sem respeito pelas tradições. Um era de injustiça, líderes cruéis, traição e sem nenhuma virtude! Um tempo onde haveria árvores sem frutos e mares sem peixes onde a Mãe Natureza só ofertaria um maná de veneno como alimento aos seres vivos ! Esta era a chegada da Era dos Homens, do nosso mundo. 


Uma Vampira Chamada Morrigan
Morrigan vem de "Mór Ríogain" e significa "Grande Rainha" em gaélico. Porém, num manuscrito datado do ano de 876 para a Vulgata de autor desconhecido surge sem maiores motivos aparentes o nome de Morrigan como sendo a a expressão de "Rainha Fantasma" ou "Rainha dos Mortos-Vivos".
Nota-se que a partir daí também a deusa Morrigan assumiu a características mais que tipicamente vampirescas na qualidade de "Rainha Fantasma" ou "Rainha dos Mortos-Vivos", só que ao contrário do famoso "Drácula" dos tempos modernos que virava morcego tinha ela o poder de se transformar em um lobo ou corvo antes de atacar suas vítimas . Seria a versão céltica do mito do vampiro?
Para o reforço desta imagem deve ser lembrado que Morrigan é descrita como uma mulher cheia de cicatrizes e ferimentos mal-curados , bem como sempre coberta de sangue e lama o que faz ela presumivelmente ter um cheiro pra lá de ruim!Aliás, um de seus epítetos de Morrigan é "corvo de batalha" e é bem sabido que esta é uma ave carniceira que se alimenta principalmente de corpos em decomposição. De novo invariavelmente tal situação invoca no fundo da mente a criação de uma imagem arquetípica de repulsão e nojo.
E o que dizer do estado sombrio de espírito que ficou Morrigan a partir de seu amor não correspondido por Cuchulainn? Oras, ela foi para sua morada na eternidade amarrando uma dor de cotovelo sem-fim e cheia de ressentimento em seu coração, abandonando-o ocasionalmente para vagar como uma alma penada entre os reles mortais em busca de amantes cativos de sua vontade!
Assim, imagine tudo isto em um "conjunto harmônico" e veremos que se bem Morrigan não tenha presas, não tema luz solar e tudo mais esperado em um vampiro clássico , nem de longe pode ser negado de que não exista algo de bem sombrio e "vampiresco" em um sentido lato na personalidade desta deusa.
A questão é apenas "´abstrair" de imagens pré-concebidas a respeito do mito do vampiro e buscar ver nele o que há de essencial, isto é, um ser destituído de sua Alma Imortal que vaga existindo neste mundo como se um morto fosse e invejoso do destino "normal" dos restante dos mortais (sobretudo amor correspondido) 


Morrigan, a Grande Rainha
Imaginem uma mulher extremamente alta, cabelos castanhos escuros longos até a cintura que serviam como uma espécie de ´´capa´´ sobre os ombros, olhos penetrantes tão negros como a noite, pele branca quase translúcida e corpo de músculos bem delineados que não deixavam de revelar encantos femininos sem par e fazer qualquer um pensar nos prazeres carnais que ela poderia oferecer.
Agora não se deixem enganar por sua bela aparência, pois detrás delas há uma guerreira implacável, caçadora das mais hábeis, mestra no manuseio de qualquer arma e invencível no combate por sua força descomunal e invulnerabilidade.
Aliás, em qualquer batalha, seja entre deuses ou mortais, lá estava ela liderando tropas com um grito de guerra tão alto quanto o de dez mil homens e plenamente armada até os dentes onde se destacava em sua indumentária de combate as duas lanças da mais pura prata que carregava nas mãos (quando lançadas capazes de partir ao meio o avanço de um exército inimigo e destroçar em pedaços quem estivesse mais próximo).
Ela também tinha poderes mágicos como o de cegar os inimigos jogando sobre o campo de batalha uma névoa penetrante bem como também dotada do dom de mudar sua forma humana para de um corvo carniceiro, lobo ou mesmo de uma anciã de aparência bem inocente. Conhecendo bem tanto o poder curativo das ervas e raízes quanto a maneira de usa-las como um veneno mortal.
Esta em poucas palavras é a descrição de Morrigan, cujo o nome em gaélico significa "Grande Rainha", deusa celta da guerra. Ao seu lado, seguindo-a para todo lado como um séquito de uma rainha, haviam as suas não menos importantes irmãs: Fea (chamada de "a Odiosa"), Nemon (conhecida também popularmente como "a Venenosa") , Badh (atendendendo pelo apelido sugestivo de "a Fúria") e Macha.
Nemon e Fea eram ambas esposas do famoso Nuada da Mão de Prata, um dos reis dos Tuatha Dé Danann (Povo da Deusa Danu) que em combate com Sreng dos Fir Bolgs (antigos habitantes da Irlanda e tribo aliada dos Fomorianos) teve a mão decepada e depois substituida por uma mão de prata feita através das incriveis habilidades de Diancecht (deus gaélico da medicina)até ser restituida por Miach e Airmid (filhos de Diancecht) Em poder se comparavam juntas a força de Morrigan.
Macha regia os pilares nos quais eram empaladas as cabeças dos guerreiros mortos em combate para qual eram feitos pelos celtas o culto da cabeça na idéia de ser assim capaz de capturar o espírito dos inimigos. Diziam que Macha vivia a cantar nos campos de batalha, com uma voz bela e magnética que tinha o poder de enfeitiçar os inimigos e leva-los a loucura ao ponto de cometerem o suicidio.
Por sua vez, Badh vinha com suas irmãs para animar os combatentes dos quais estavam ao seu lado na batalha para assim inspira-los a ficarem cada vez mais ferozes , afastando o medo da morte do coração e o receio da derrota. Era individualmente a irmã mais próxima no contato com Morrigan, atuando como sua conselheira e confidente.
Curiosamente a Grande Rainha , sempre vitoriosa no combate, acabou pelo amor não correspondido de Cuchulainn (uma espécie de semi-deus e herói celta ao estilo de Hércules dos gregos) sendo atingida de uma forma mais dolorosa do que em qualquer ferimento obtido em batalha. Assim, ironicamente, o Amor foi a arma que finalmente derrotou a invencível Morrigan!


Veja a fonte no Templo do Conhecimento!


Krummavisur - Icelandic


Paz e Bênçãos!


[1] Samito era uma espécie de tecido pesado de seda usado na Idade Média.

Dicas para comemorar Ostara Sabbath (in 2012)

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Ostara é o momento de festa, alegria, jovialidade, reflexão e de corrermos atrás de nossas metas. Momento de  celebrarmos a fertilidade e a vida na Terra, por isso é um excelente momento para passarmos com as crianças, no campo, em festa, piqueniques, e momentos alegres.

É também um ótimo momento de acertarmos os últimos pontos para começarmos a correr atrás de nossas metas no ano, e assim, não deixar nada pendente ou sem fazer. É um momento de paz e perdão, por isso é sempre bom agirmos de coração aberto e sereno nessa época. E não se esqueça, é um período regido pelas emoções, pelo amor, pelas paixões e sentimentos, então, deixe-se levar por elas.

Minha dica vai ser simples e você poderá selecionar dela o que achar possível de realizar...

Junte-se com amigos e realize nessa tarde um piquenique bem alegre, com direito a conversas, brincadeiras, cantos. Faça algo bem farto e dê preferência às coisas que levem ovos, leite e derivados em sua fabricação. Enfeite tudo com flores e, se possível, peça para que todos usem coroas e arcos floridos na cabeça e/ou no corpo.

Durante o piquenique, uma boa brincadeira pode ser o "Caça aos ovos", esconda pelo local o número de ovos  (ainda crus - tenha cuidado) de acordo com o número de participantes, e peça para que cada um encontre o seu. Após isso, deixe que cada um adorne seu ovo como preferir e todos juntos realizem uma bênção ao ovo:

"Fértil ovo de vida tão antiga,
traga alegria e risos e cesse toda briga
com a sua enorme fertilidade,
garanta perfeito amor e tranquilidade
para todos, não só os que aqui estão.
Quer sejam pessoas, coisas, plantas, animais ou animais de estimação!"

Esse ovo cada um deverá levar para casa e enterrá-lo no quintal (se não puder em seu quintal, ou se não tiver um, enterre em algum lugar calmo e de muita tranquilidade). Fique atento, porque o ovo pode chocar, caso isso aconteça (o que é raro), a vida dele gerada é responsabilidade sua!

Caso não poça fazer a Caça aos Ovos, pode pedir para que as pessoas levem seus ovos e troquem entre si, de forma a todos terem um ovo no final, e realize o resto normalmente.

Continuando, para a libação e condimento sugiro leite no lugar do vinho e como condimento, peça que cada pessoa traga de casa ovos cozidos (com a casca), no qual escreveram na casca (giz de cera branco é ideal) algo que gostariam de adquirir ou acrescentar no ano e em sua própria vida (ex.: generosidade), por cima, pinte o ovo da cor que você acredita que represente esse elemento. Na hora da libação abençoe a libação e os condimentos como de costume. Repasse o leite e peça para que cada um coma seu(s) ovo(s) cozido(s), encorporando assim aquilo que pediram.

Com todos já cheios da energia desse tempo, façam uma dança circular e coloque três pessoas ao centro, as quais derrama no solo um pouco de leite, mel e água, para nutri-lo e garanti-lo sadio e forte para todo o ano.

Por fim, realize uma confraternização, e o ideal (já que já estamos no costume social dos ovos de páscoa) é terminar tudo com um chococulto (ovos de páscoa serão ainda mais bem vindos nesse momento, principalmente se envolver crianças).

Lembre-se esse é um dia alegre, use sempre sua imaginação!

Paz e Bênçãos e
Feliz Ostara!

Ostara Sabbath

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É o quarto Sabbath da Roda do Ano que se iniciam em Samhain. Sua regência está no reequilíbrio, na consolidação da força. Imbolc que passou trouxe-nos os novos inícios e os novos conhecimentos, agora os frutos começam a aparecer e junto com eles a necessidade de correr atrás, de buscar nossos objetivos (firmados no tempo de Imbolc). A Terra torna a enfeitar-se com graças, flores, frutos, chuvas... O tempo que agora a todos abençoa é um indício de que tudo recomeçou de fato. É também o primeiro dia do ano em que Dia e Noite, Luz e Trevas se igualam, trazendo indícios de um tempo de reflexão e paz.

Ostara ou Eostre: Comemorado em 20 de março, equinócio de primavera (hemisfério norte), representa a completa juventude. 

Assim, Ostara nos mostra o reequilíbrio, a terra já não mais hostil, sensível aos cuidados no campo e na vida. Ostara nos remete a cuidados, e principalmente, a hora de buscarmos nossas metas. Ainda é tempo de reflexão, já que Luz e Trevas se encontram e se equivalem no arquétipo das noites iguais aos dias, e também nos anuncia a prosperidade e a vida. Entretanto, é também tempo de ação, de conquistas e de superação. 

Dentro dos mitos céltico-nórdicos temos a imagem de Eostre, ou Ostar, a Deusa regente desse festival. Deusa da Liberdade, da fertilidade, da vida e dos amores. A lenda diz que nesse momento, Eostre, ainda quente por sua paixão visita os campos para brincar com as crianças, onde ela, para diverti-las, se transforma primeiro em um pássaro e depois em uma lebre (ou coelho) - símbolos de alegria e fertilidade - e, para o espanto de todos, bota ovos coloridos (de onde surgiu nossa vigente tradição pascoal). Assim, esse tempo nos remete à bondade, ao amor, à alegria e à vida.

Entretanto, dentro do calendário Celta, esse tempo também sofre regências de Morrigan, cujo dia se comemora em 19 de março. Morrigan é Deusa da guerra, da morte, da passagem, da fertilidade, dos amores e do sacerdócio. Assim sendo, temos a indicação também de que devemos travar nossas próprias batalhas e correr atrás do que buscamos, mas peregrinar que, apesar de distintas suas regências e histórias, ambas as Deusas nos falam de amor e fertilidade. Na lenda morganiana, esse seria o período em que, após a morte de seu amado CuChulainn, a Deusa se põe a peregrinar ensinando a todos.

Os cristãos comemoravam nessa época (celebrando o equinócio de primavera) a Páscoa, momento de regeneração da Terra e de perdão das dívidas. Posteriormente, sob a influência das tradições pagãs encorporou-se à Páscoa cristã aspectos notoriamente pagãos, como a fertilidade (representada pelo coelho) e a vida (representada pelo ovo), trazendo para suas comemorações o mito de Eostre.

Assim, podemos dizer que grandes símbolos de Ostara sejam as festas, as flores (principalmente jasmins, rosas, lírios, narcisos, violetas, flores-do-campo), a lebre (ou o coelho), o ovo (enfeitado ou achocolatado), as cores em tons pastéis...


Compartilhando uma honra

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Salue amici, nesse post não irei falar de teorias e afins, mas gostaria de compartilhar com vocês uma descoberta recente que me deixou muito honrado...

Ano passado (2011), eu dei entrevistas para algumas pessoas, curiosos e estudantes. Não pensei que essas entrevistas renderiam mais que algo de circulação interna. Então, recentemente, quando pesquisei meu nome no Google (é sempre importante saber o que temos publicado em nosso nome na internet), descobri que em setembro de 2011 uma de minhas entrevistas rendeu um resumo em uma matéria publicada pelo Conexão Brasil no site Pin. Sei que é simplório, haja visto que não é algo de circulação de grande força na mídia, mas sinceramente não me importo.

Fiquei mais do que honrado com essa publicação e em saber que meu trabalho começa a ser reconhecido nacionalmente. Obviamente devo minha honra a todos os que me acompanham, sejam como amigos, aprendizes e, de forma especial, à minha Mama e mentora Ligia Amaral Lima (POA/RS).

Segue aí o link para todos os que quiserem acompanhar! Confesso que achei a síntese da minha entrevista muito boa... Apesar de alguns erros (como chamar o Paganismo de "nova" religião). mas vale a pena a lida!