domingo, 18 de março de 2012

Morrigan - a Deusa da Guerra

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Bem meus amigos, o Dia de Morrigan - Deusa celta da guerra, da morte, da fertilidade, dos amores, da passagem, da magia e do sacerdócio - se aproxima... É agora dia 19 de março (mesmo dia em que se comemora o Dia de Athena, se der falarei sobre ela posteriormente). E como essa Deusa é também minha matrona, decidi fazer uma postagem sobre ela trazendo a vocês um brilhante texto retirado do site Templo do Conhecimento (que recomendo muito).

Antes de mais nada, bom dizer que, apesar dela ser uma Deusa bastante mal vista, ela nada tem para se preocupar ou temer. Assim como qualquer pessoa, quando bem tratada ela é extremamente amiga. Mas não devemos nos esquecer de que ela é Deusa da Morte e da Guerra e possui um forte lado vingativo, entretanto, ela também é deusa dos Caminhos, da Fertilidade e dos Amores.

Por experiência própria posso dizer que, apesar de nos ensinar quase sempre a partir do sofrimento (que é uma das melhores maneiras de se aprender na vida), ela sabe ser caridosa e incrivelmente amiga quando precisamos, assim como é capaz de brandir sua espada sem piedade quando somos ameaçados. Mas é uma divindade com quem devemos sempre ter cuidado extra, para além de tudo ela faz parte do arquétipo das Deusas Negras (regidas ou regentes da Lua Negra) e com isso pode sempre nos mostrar suas duas faces: a caridosa e amiga, e a destruidora e perversa.

Se você for uma pessoa capaz de se dedicar, empenhar, gostar de ter um tempo só seu e correr atrás de suas metas, certamente se dará muito bem com essa divindade e ela com você.

Morrigan faz parte de uma Deusa Tríplice formada por ela e suas duas irmãs (Badb e Macha) conhecida como Morrigù ou simplesmente Morigna (As Morrignas), que poderia ser uma correlata às Lâmias greco-romanas, responsáveis pela boa condução do destino e pela punição severa aos erros imorais da humanidade.

Cultuar essa Deusa não exige muitos sacrifícios, uma vez que ela é uma Deusa muito interna, dialoga muito com seu eu interior, mas eu recomendo boas danças, momentos de meditação bem profunda, uma boa ida ao Cemitério ou a bosques fechados (seus templos), uso das cores preta ou vermelho escarlate. Se quiser fazer uma oferenda a essa Deusa, pode usar de rosas (sua planta) - preferencialmente as rosas da noite, de um tom vermelho escuro e uma textura aveludada, velas pretas, e um pedaço de bife (ou outra carne) bem mal passado, de preferência ainda sangrando. O ideal é deixar essas oferendas perto de poços de água, bosques ou mesmo em cemitérios, e de preferência realizá-la a noite, após às 21:00h. Lembro também que Morrigan é uma Deusa extremamente sexual, por isso, aproveite! Mas atenção, se você for seguir caminhos guiado por essa Deusa, esteja pronto para cobranças constantes e muita dedicação...

Krummavisur Instrumental - Icelandic


Oração a Morrigan:

Sobre montes e sobre prados 
Veja o corvo voar, sinto a sua sombra 
Sobre bosques e sobre montanhas 
Procurando por uma guerra 

Suas asas abraçam cada luta e batalha 
Onde espadas se confrontam e carros batem 
Buscando a aquele em cujo tempo 
Chegou a ter a lâmina 

Morrigan antiga Deusa da guerra 
Eu vejo seu rosto, eu não vou chorar mais 
Morrigan antiga Deusa da guerra 
Venha me levantar em suas asas 

Morrigan antiga Deusa da guerra
Eu ouço sua voz, eu não respiro mais 
Morrigan antiga Deusa da guerra 
Venha libertar meu espírito 

Mate por Morrigan 
Mutile por Morrigan 
Lute por Morrigan 
Destruir por Morrigan 
Morrer por Morrigan 
Morrigan antiga Deusa da guerra.


Oração a Morrigan cantada (em inglês) - Omnia

MORGANA:

Por Ioldanach.
A Origem de Morgana
Desde os autores da Idade Média aos da literatura contemporânea nada se apresenta mais controverso do que a figura de Morgana , onde em algumas versões ela é tida como a grande vilã no enredo enquanto outros designam a ela o papel de fundamental aliada de Arthur. 
No principal documento que a cita historicamente, a saber o livro intitulado "Vita Merlini" (Vida de Merlin) de autoria de Geoffrey of Monmouth (1100 - 1155) , Morgana é apresentada como uma das nove irmãs que governavam um mágico lugar a que chamavam "ilha de maçãs" e que homens conheciam pelo nome de "A Ilha Afortunada" (o mesma é citada em "Navigatio Sancti Brendani" por São Brandão na narrativa de suas lendárias viagens aum Paraíso Perdido) pelo fato de que ali a Mãe Natureza nutria seus habitantes com tamanha abundancia que nem havia necessidade de cultivar a terra e nela passar o arado.
Morgana é aqui chamada de "Morgen" por Geoffrey , sendo descrita por ele como tendo notável beleza, extraordinários conhecimentos e incríveis poderes de mudar a sua própria forma. Seria ela uma espécie de líder e mentora de suas irmãs. Porém, a importância que dá a ela no "Vita Merlini" é secundária já que o texto concentra mais em falar de Merlin (praticamente só um parágrafo é gasto para mencioná-la) que encerra uma espécie de trilogia que deu inicio com "Prophetiae Merlini" (Profecias de Merlin) e passa por "Historia Regum Britanniae" (Histórias dos Reis da Britania).
Posteriormente a mesma personagem com certas mudanças é citada com um pouco mais destaque como "Morgawse" (vemos outros autores menos renomados a chama-la também de "Anna") por Sir Thomas Malory (1405-1471) em seu livro "Le Morte d´Artur" onde é compilado para o francês as sagas arturianas. Porém, seja qual fosse o nome o fato é que Morgana e outros personagens femininos figuram como secundários em face Arthur , Merlin e os Cavaleiros da Távola Redonda.
Tempos depois já no século XX a escritora norte-americana Marion Zimmer Bradley (1930-1999) tem a iniciativa de criar uma versão sob o ponto feminino das lendas arturianas em seu livro "As Brumas de Avalon" onde Morgana é finalmente elevada a condição de quase personagem central da estória só que assumindo a alcunha de "Morgana Le Fey" no enredo.

A Outra Face de Morgana

Ocorre que seja como Morgen, Morgawse, Anna, Morgana Le Fey ou qual for o nome, tomada como personagem principal ou mero coadjuvante na trama bem como também encarando seu papel como vilã ou heróina na vida de Arthur , o fato é que toda esta narrativa não passa de uma espécie de "releitura" de lendas bem mais antigas.
Nesta perspectiva, centrando a obra de Geoffrey of Monmouth como grande paradigma na criação da mitologia arturiana, pelo o qual outros escritores vieram depois para se inspirar pelos século afora, a tese mais aceita é que ele fez uma versão "franco-normanda" de mitos célticos e o mesclou com ficção histórica, ou seja, pegou lendas ancestrais e procedeu uma "revisão" nos eventos históricos de modo que lendas e fatos se misturassem como sendo uma só coisa. 
Seja quem fosse a Morgana como personagem histórica, partindo é claro do pressuposto que ela tenha de fato existido, não resta dúvida que Morrigan (ou se muito a sua versão galesa como "deusa Gwyar") é a principal base de inspiração para Geoffrey compor a personagem.

Evidências que comprovam esta ascendência mítica sobre Morgana são inúmeras que vão desde sua descrição física , seus poderes e atitudes que são bem típicos daqueles vistos em Morrigan. Leia-se , por exemplo, o poema "Morgan le Fay" de autoria de Madison Julius Cawein (1865 -1914) e vejam se "a sombra de Morrigan" não aparece lá:



De Samito[1] era feito o seu leito,
No seu cabelo um aro de ouro,
Como luminescência orgânica, no amarelo-torrado da luz do luar,
Era luzente e fria.
Com olhos cinzentos claros, ela olhava ameaçadora e fixamente;
Com lábios vermelhos claros cantava uma canção:
Qual era o cavaleiro que ao olha-la,
Não a receava?

MORRIGAN
Por Ioldanach
A Profecia de Morrigan
Ao final da épica batalha com Fomorianos segue uma cena não menos espetacular de Morrigan e sua irmã Badb correndo juntas para proclamar aos quatro cantos a vitória dos Tuatha Dé Danann, gritando para tanto do cume das montanhas mais altas da Irlanda.

Voltando a Tara (capital do reino dos Tuatha Dé Danann) Badb como uma menestrel improvisada , fortemente tão emocionada quanto inspirada pela importância daquele momento na vida de todos dananianos , cantou uma canção que assim começava e cujo o resto da letra se perdeu na poeira da história :
Paz sobe aos céus,

Os céus descem a terra,
Terra mora sob os céus,
Todos são fortes... 


Morrigan permanecia quieta ouvindo a bela canção de sua irmã, porém, enquanto todos eram só sorrisos transparecia um ar sombrio estampado na sua face que aos poucos atraiu atenção de todos ao ponto de cessarem suas celebrações para ver o que acontecia ali.
Voltou a reinar um silêncio sepulcral entre os danianos , sem que ninguém tivesse coragem de perguntar a Morrigan o que acontecia, quando sem aviso prévio a Grande Rainha em olhos marejados e voz embargada anunciou que teve uma visão sobre o que reservava o futuro para os Tuatha Dé Danann.
Na profecia Morrigan via o fim iminente da Era Divina dos Tuatha Dé Danann e o inicio de um tempo de miséria sem fim com mulheres sem pudor, homens sem força, velhos sem a sabedoria da idade e jovens sem respeito pelas tradições. Um era de injustiça, líderes cruéis, traição e sem nenhuma virtude! Um tempo onde haveria árvores sem frutos e mares sem peixes onde a Mãe Natureza só ofertaria um maná de veneno como alimento aos seres vivos ! Esta era a chegada da Era dos Homens, do nosso mundo. 


Uma Vampira Chamada Morrigan
Morrigan vem de "Mór Ríogain" e significa "Grande Rainha" em gaélico. Porém, num manuscrito datado do ano de 876 para a Vulgata de autor desconhecido surge sem maiores motivos aparentes o nome de Morrigan como sendo a a expressão de "Rainha Fantasma" ou "Rainha dos Mortos-Vivos".
Nota-se que a partir daí também a deusa Morrigan assumiu a características mais que tipicamente vampirescas na qualidade de "Rainha Fantasma" ou "Rainha dos Mortos-Vivos", só que ao contrário do famoso "Drácula" dos tempos modernos que virava morcego tinha ela o poder de se transformar em um lobo ou corvo antes de atacar suas vítimas . Seria a versão céltica do mito do vampiro?
Para o reforço desta imagem deve ser lembrado que Morrigan é descrita como uma mulher cheia de cicatrizes e ferimentos mal-curados , bem como sempre coberta de sangue e lama o que faz ela presumivelmente ter um cheiro pra lá de ruim!Aliás, um de seus epítetos de Morrigan é "corvo de batalha" e é bem sabido que esta é uma ave carniceira que se alimenta principalmente de corpos em decomposição. De novo invariavelmente tal situação invoca no fundo da mente a criação de uma imagem arquetípica de repulsão e nojo.
E o que dizer do estado sombrio de espírito que ficou Morrigan a partir de seu amor não correspondido por Cuchulainn? Oras, ela foi para sua morada na eternidade amarrando uma dor de cotovelo sem-fim e cheia de ressentimento em seu coração, abandonando-o ocasionalmente para vagar como uma alma penada entre os reles mortais em busca de amantes cativos de sua vontade!
Assim, imagine tudo isto em um "conjunto harmônico" e veremos que se bem Morrigan não tenha presas, não tema luz solar e tudo mais esperado em um vampiro clássico , nem de longe pode ser negado de que não exista algo de bem sombrio e "vampiresco" em um sentido lato na personalidade desta deusa.
A questão é apenas "´abstrair" de imagens pré-concebidas a respeito do mito do vampiro e buscar ver nele o que há de essencial, isto é, um ser destituído de sua Alma Imortal que vaga existindo neste mundo como se um morto fosse e invejoso do destino "normal" dos restante dos mortais (sobretudo amor correspondido) 


Morrigan, a Grande Rainha
Imaginem uma mulher extremamente alta, cabelos castanhos escuros longos até a cintura que serviam como uma espécie de ´´capa´´ sobre os ombros, olhos penetrantes tão negros como a noite, pele branca quase translúcida e corpo de músculos bem delineados que não deixavam de revelar encantos femininos sem par e fazer qualquer um pensar nos prazeres carnais que ela poderia oferecer.
Agora não se deixem enganar por sua bela aparência, pois detrás delas há uma guerreira implacável, caçadora das mais hábeis, mestra no manuseio de qualquer arma e invencível no combate por sua força descomunal e invulnerabilidade.
Aliás, em qualquer batalha, seja entre deuses ou mortais, lá estava ela liderando tropas com um grito de guerra tão alto quanto o de dez mil homens e plenamente armada até os dentes onde se destacava em sua indumentária de combate as duas lanças da mais pura prata que carregava nas mãos (quando lançadas capazes de partir ao meio o avanço de um exército inimigo e destroçar em pedaços quem estivesse mais próximo).
Ela também tinha poderes mágicos como o de cegar os inimigos jogando sobre o campo de batalha uma névoa penetrante bem como também dotada do dom de mudar sua forma humana para de um corvo carniceiro, lobo ou mesmo de uma anciã de aparência bem inocente. Conhecendo bem tanto o poder curativo das ervas e raízes quanto a maneira de usa-las como um veneno mortal.
Esta em poucas palavras é a descrição de Morrigan, cujo o nome em gaélico significa "Grande Rainha", deusa celta da guerra. Ao seu lado, seguindo-a para todo lado como um séquito de uma rainha, haviam as suas não menos importantes irmãs: Fea (chamada de "a Odiosa"), Nemon (conhecida também popularmente como "a Venenosa") , Badh (atendendendo pelo apelido sugestivo de "a Fúria") e Macha.
Nemon e Fea eram ambas esposas do famoso Nuada da Mão de Prata, um dos reis dos Tuatha Dé Danann (Povo da Deusa Danu) que em combate com Sreng dos Fir Bolgs (antigos habitantes da Irlanda e tribo aliada dos Fomorianos) teve a mão decepada e depois substituida por uma mão de prata feita através das incriveis habilidades de Diancecht (deus gaélico da medicina)até ser restituida por Miach e Airmid (filhos de Diancecht) Em poder se comparavam juntas a força de Morrigan.
Macha regia os pilares nos quais eram empaladas as cabeças dos guerreiros mortos em combate para qual eram feitos pelos celtas o culto da cabeça na idéia de ser assim capaz de capturar o espírito dos inimigos. Diziam que Macha vivia a cantar nos campos de batalha, com uma voz bela e magnética que tinha o poder de enfeitiçar os inimigos e leva-los a loucura ao ponto de cometerem o suicidio.
Por sua vez, Badh vinha com suas irmãs para animar os combatentes dos quais estavam ao seu lado na batalha para assim inspira-los a ficarem cada vez mais ferozes , afastando o medo da morte do coração e o receio da derrota. Era individualmente a irmã mais próxima no contato com Morrigan, atuando como sua conselheira e confidente.
Curiosamente a Grande Rainha , sempre vitoriosa no combate, acabou pelo amor não correspondido de Cuchulainn (uma espécie de semi-deus e herói celta ao estilo de Hércules dos gregos) sendo atingida de uma forma mais dolorosa do que em qualquer ferimento obtido em batalha. Assim, ironicamente, o Amor foi a arma que finalmente derrotou a invencível Morrigan!


Veja a fonte no Templo do Conhecimento!


Krummavisur - Icelandic


Paz e Bênçãos!


[1] Samito era uma espécie de tecido pesado de seda usado na Idade Média.

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