quarta-feira, 13 de junho de 2012

Litha Sabbath

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É o sexto Sabbath da Roda do Ano que se inicia em Samhain. Sua regência é a plenitude, a festa, a maternidade, o vigor, a vida! Beltane deu a Terra vida, fertilidade e essa vida inundou o mundo e fez dele pleno e regozijado em alegria e paz. Tudo está pleno, as energias se harmonizam, se recriam e se transformam. Agora que coletamos o que plantamos e buscamos em Ostara, nos é o momento de viver e regozijar em nossas colheitas. A Terra nos presenteia com a magia, com o amor, com a promessa de eternidade e plenitude.


 Litha: Comemorado em 21 de junho, solstício de verão (hemisfério norte). É a plenitude em seu mais alto grau. É o momento de paz com o anúncio vigoroso e próspero da primeira colheita. Aqui é a pré-colheita que traz as bênçãos. A terra está fértil e frutífera e o mundo está em júbilo e pode, enfim descansar brevemente do árduo trabalho do arado, para então iniciar o trabalho da colheita.


É desse modo que Litha é a festa das festas. O mundo está regozijado e pleno, bebemos dessa plenitude. Esse é o momento de esquecermos e nos curarmos de nossos problemas e medos, olha a vida e a Terra com outros olhos, olhos dispostos a aprender e a ver a positividade e a alegria que está em tudo, mesmo atrás do sofrimento e das dificuldades; e com esse olhar, nos tornamos novamente crianças, plenos em nosso mundo, em nosso castelo, cercado de sonhos de alegria, de júbilo, sem nos deixar abater pela tempestade, mas capazes de simplesmente correr por baixo dela, livre das amarras, dores e sofrimentos dessa vida, por nos concentrarmos na plenitude que conosco está.

Nas mitologias celtas Litha coincide com a data de celebração de Macha, a sagrada Deusa Mãe, cujos relatos indicam ser pré-celtica e ainda mais misteriosa do que se mostra. Pode parecer paradoxal se pensarmos que essa Deusa, compondo a Tríade Morrigù (Badh, Macha, Morrigan), sendo como tal uma Deusa Negra é celebrada no mais alto auge da natureza e no Símbolo da Lua Plena. Mas para muito antes dessa Deusa ser tida como Negra, temos que lembrar que suas três passagens mitológicas (sim essa Deusa teve três passagens pela Terra) nos levam a ela como uma Mãe Suprema, talvez a nível das Deusas que a acompanham: Danann (Dana, Danù / Anann, Ana, Anù / Don) e Modron. A primeira passagem de Macha é pré-celtica, cultuada por povos muito antigos como Senhora da Fertilidade e da Destruição, em sua face Fertilidade era a mãe dos homens e da natureza como um todo, em sua face Destruição era vista como a morte que a todos cerca e a todos leva. Sua segunda passagem foi entre os Tuatha Dé Danann, como a irmã mais velha de Morrigan e Badh, filha do primeiro relacionamento de seu pai o Rei com a irmã daquela que vem a ser sua Rainha e mãe de suas irmãs. Herdeira do trono e legítima rainha, Macha conduziu seu povo a vitória e foi tutora de Morrigan, ensinando-a como sua sucessora. Há lenda não conta se ela teve ou não filhos, mas sabemos que pelar armações ambiciosas de Badh, o resultado foi a tragédia do controle dos Tuatha sobre os povos celtas. Em sua última passagem, ela nos aparece como uma Dama do Lago que oferece a um fazendeiro (solteiro ou viúvo) prosperidade, plenitude e filhos, em troca ele jamais poderia falar dela. Um dia, bêbado, o fazendeiro, no pátio do rei, ouve dizer que ninguém poderia vencer o cavalo do rei em uma corrida, então, possuído pela bebida, ele afronta ao rei dizendo que sua esposa (da qual nunca soube o nome), poderia vencê-lo. Em sua catástrofe, o rei obrigou a presença dessa mulher e obrigou-a a correr. Ela venceu e retornou para casa sem falar uma palavra. Passando algum tempo, quase entrando em trabalho de parto, a esposa foi obrigada a correr novamente, dessa vez montada no cavalo do rei e dar-lhe o prêmio da competição. Pedindo clemência e sem tê-la a mulher correu e venceu. Presa no pátio do rei ela deu a luz a dois gêmeos (Vida e Morte, Fertilidade e Destruição) e amaldiçoou o reino, dizendo que nada a não ser a grama cresceria e viveria naquele lugar. Questionada de quem ela era para falar com tal afronta, ela apenas respondeu "Eu sou Macha!", e essa resposta calou a boca de todos. Pouco depois a mulher desapareceu. Os filhos, provavelmente foram criados pelo rei ou pelo fazendeiro, mas o local onde dizem ser o antigo reino, é hoje apenas uma planície gramada e que dizem perturbar os cavalos que por ali passam. Assim, em suas três aparições, Macha nos trás seus dois lados, típico de uma Deusa Negra, em um nos oferece a Plenitude e no outro a Destruição. Por isso ela é comemorada em Litha como a Senhora da Plenitude, mas omitida em sua face destruição, na esperança de que consigamos apenas a generosidade dessa Deusa, seu amor materno e não sua ira e ódio.

Outras Deusas celtas costumam ser invocadas e cultuadas nessa época e são elas: Danann a grande Deusa-Mãe celta, para quem foi atribuída o título e a regência de Mãe de todos os Deuses e rainha Suprema de seu povo, os Tuatha dé Danann. Essa Deusa é uma das poucas que é conhecida sempre em seu aspecto Mãe, a senhora dos quatro caminhos (Luz Boa, Luz Má, Trevas Boa, Trevas Má) para os quais são divididos todos os seres e pessoas, não tendo como foco qual caminho seguir, desde que se siga um! Danann é também Deusa da Fertilidade e da chuva (o que a liga mais a Beltane, como também esposa de Belenus, regente de Beltane), mas também é celebrada em Litha como a senhora que deu a Terra plenitude e vida. Outra Deusa a esse nível é Modron, mãe de Angus Mac Og (Mabon) e conhecida como a Senhora da Terra entre alguns povos celtas. Modron era a própria plenitude e vida, sua estadia em algum lugar fazia desse lugar pleno e próspero. Era tida como uma mãe carinhosa e sábia, mas que também respeitava a hora e o momento para estar com seus e fazer o que lhe apetecia. A última Deusa que aqui encontramos referência, apesar de ter sua passagem um pouco menos impactada é Boayne, que ao se deitar com Dagda engravidou, fazendo com que esse Deus enviasse seu esposo em uma peregrinação de um dia, cujo o dia e a noite durariam 9 meses, para que a criança pródiga pudesse ser gestada e nascesse sem a ciência do real esposo de Boayne; assim essa Deusa também é associada a Maternidade.

Se falarmos dos Deuses masculinos, teremos claramente a regência daqueles que se manifestam como vigorosos e Senhores das Selvas, dos animais, e como os Reis Soberanos. Assim, teríamos claramente a Regência de Cernunnos, mas não creio que esse Deus se manifeste tanto nesse tempo como o próprio Dagda, cujo nome significa Bondade. Esse Deus é o segundo marido de Danann e o responsável pela plenitude e estabilidade de seu povo. Também chamado de Pai dos Deuses e dos homens é o dono do Caldeirão da Vida, onde todas as coisas são criadas. Sua generosidade e bondade revestem a Terra e os homens com o melhor de si mesmos. Por isso ele é costumeiramente associado a esse Sabbath. Dagda é considerado o Pai bondoso e generoso da humanidade e da natureza, por isso ele, apesar de distante, está sempre próximo e manifestado em todo momento de plenitude da vida dos seres e da Terra.

No mais, esse é período de plenitude e felicidade e por isso também é celebrado com os animais e seres mágicos, elementares e elementais (Fadas).

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