segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Mabon Sabbath

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Primeiramente, gostaria de me desculpar com meus leitores pelo atraso da postagem sobre Mabon. Mas estive muito enrolado com questões pessoais, profissionais e estudantis. De qualquer forma, ainda estamos no Tempo de Mabon...


Esse é o oitavo e último Sabbath da Roda do Ano que se inicia em Samhain. Sua regência é a ação de graças, é a última colheita terrena farta, momento da partilha mas também do racionamento. A Morte se anuncia e se aproxima, nos convidando a deixarmos o passado para trás e encontrá-la de braços abertos, para renascermos e nos renovarmos. Nesse caminho até seu encontro, somos também convidados a nos repensarmos, tomarmos as atitudes certas para além daquela que queremos... Somos chamados à meditação, cooperação, racionamento e planejamento. A fartura se expande mais uma vez para anunciar-nos a necessidade de nos precavermos para o que virá em seguida. A jornada certamente não será fácil, mas se realizada com maturidade, cautela, calma será certamente atingida com êxito. Mas para realizarmos nossa jornada devemos levar apenas aquilo que nos carece ser levado e deixar para trás, sem  exitar, tudo o que deve ser deixado. O passado deve morrer para o futuro chegar, mas que seja gravado na memória para não se repetir os erros... Assim, por fim, é tempo de meditação, planejamento e, principalmente, agir por aquilo que é certo e cooperar mutuamente com tudo e todos, para que tudo e todos passem pela morte com plenitude e suavidade.

Mabon: Comemorado em 22 de setembro, equinócio de outono (hemisfério norte), é o Dia de Ação de Graças; a última grande festa ou a última grande colheita e, principalmente, a colheita da uva e fabricação do vinho; o último suspiro de altruísmo. É o grande banquete final, mas também é o início do declínio, está na hora de começar, pouco-a-pouco, a deixar a colheita morrer, até porque o inverno (morte) começa a se anunciar. 


Mabon se torna assim um festival múltiplo: ele se faz em grandes banquetes e festejos, pois é o último momento de fartura e de alegria para festas e banquetes generosos; também é o dia de ação de graças, de cooperação e de aprendermos a olhar as pessoas e o mundo a nossa volta; mas também é momento de preparo, de tensão com o anúncio da morte, nos convidando então a tomarmos nossas decisões e a agirmos de forma a sempre fazer o certo para além do desejado.  É o predomínio da Anciã, ou seja, da amiga sábia e certeira, mas também da megera... Por isso, tomar as decisões certas podem marcar muita coisa na vida de todos nesse momento.

As mitologias a cerca de Mabon se variam dentro do mesmo padrão, o rapto ou a ida de algum Deus ou Deusa ruma ao Submundo, ao mundo da Morte. Desse modo temos entre os celtas a linda passagem de Angus Mac Og ou Mabon (o nome do Deus é pronunciado como "meibon", enquanto o nome do festival é pronunciado tal qual é escrito "mabon"). Os mitos contam que Mabon, filho da Deusa Mãe Modron, era um jovem muito bonito e amável por todos e pela natureza, pelos animais e plantas. Ele foi educado por sua mãe a manter um contato próximo e direto com a natureza, muitas vezes se misturando com ela, por isso, por onde ele passava as colheitas eram fartas, as flores suaves e belas, as árvores frondosas e ricas em frutos, os pássaros cantavam e as doenças eram curadas. Para além, sua beleza era prestigiada e desejada por todos, ele era um jovem de beleza e corações quase perfeitos. Um dia, na data do festival de Mabon, Angus foi raptado por Arawn, o Deus do Submundo, que invejava seus dons e beleza e também porque Arawn já havia cansado de ver apenas beleza e prosperidade por onde Angus passava... Quando Modron deu conta do sumiço do filho, colocou todos os seres e pessoas a sua procura. Após alguns dias, ela começou a ver a terra morrer, as folhas caírem e os animais se acolherem em suas tocas, ninhos e casas, então ela entendeu que seu filho realmente havia lhe sido tirado. Modron, apesar de triste, se confortou, pois havia ensinado tudo ao filho e sabia que ele seria amado, acolhido e viveria bem onde quer que estivesse. Mabon, honrando os ensinamentos de sua mãe e se mostrando um jovem muito experto, quando chegou ao Submundo de Arawn, se transformou em uma semente. A semente germinaria em breve e dela nasceria uma frondosa árvore e, junto com ela, Mabon estaria livre e de volta aos campos de sua mãe, que também o aguardava ansiosa...

Outra passagem celta nos fala de Cerridwen, Deusa da beleza e da sabedoria escocesa, mãe de Merlin (Tailesin). Segundo a lenda, a Deusa deixou uma poção da sabedoria, endereçada, Morfran, a seu filho que era muito feio e, por isso, a solução seria transformá-lo em sábio, cozinhando em seu caldeirão, essa poção renderia uma ou três gotas (há divergências) e todo o resto seria veneno. Assim, Ela deixou seu assistente, Gwion, mexendo e vigiando a poção e advertido de não bebê-la, quando a poção ferveu e espirrou três gotas que caíram nos dedos de Gwion que, por instinto, levou-os a boca, tomando a poção. Com a poção fazendo e feito e pela sabedoria que ela lhe proporcionou, Gwion sabia que a Deusa enfurecida iria atrás dele na intenção de matá-lo. Gwyon transformou-se em uma lebre e Cerridwen em um cão, transformou-se então em um salmão e ela em uma lontra. Por último transforma-se em um grão de trigo, mas a Deusa em corpo de uma galinha o come. Nove meses mais tarde Cerridwen deu à luz em Taliesin, o maior dos Trovadores Celtas. Depois de tê-lo em seu seio, não conseguiu mais matá-lo. Ela então o coloca dentro de um saco de pele e introduzindo-o dentro de uma pequena barca, que fica a deriva sobre as ondas. Elphin, filho de um rico proprietário de terras, salvou o bebê e lhe deu o nome de Taliesin (semblante radiante). A criança reteve todo o conhecimento e sabedoria adquiridos pela poção e tornou-se um importante e talentoso Druida e Bardo.

Por fim, deixo apenas registrado que, até o momento, esse é o único festival que não encontrei adaptações ou correlações dentro do calendário da Igreja Católica.