quarta-feira, 24 de junho de 2015

As Fadas (os "Sidhe")

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(dica: assista o filme "As Crônicas de Spiderwick")

As fadas são seres intrigantes que aparecem de forma repaginada várias vezes em várias mitologias. Eu particularmente adotarei as fadas como sinônimo do termo grego “Elemental”, seres (e não espíritos) mágicos ligados a natureza e que muitas vezes vivem no Outro Mundo ou em trânsito constante a esses mundos.
            
Ao contrário do que os contos recentes descrevem, as fadas não são apenas seres alados, pequenos que cuidam da natureza. De acordo com a origem do termo, em inglês, Faery People, “O Povo das Fadas” ou o “Povo do Faery”. Essa categoria é uma categoria generalizadora que engloba uma porção de seres catalogados, e outros ainda não catalogados, que costumamos chamar de “seres mágicos”. Assim, as fadas são todos os seres mágicos que vivem em diálogo com nosso mundo: silfos (os alados), gnomos, duendes, dragões, salamandras, e uma porção de outros catalogados e muitos que ainda não foram catalogados por nós.
            
O “Faery” pode se referir ao “País das Fadas”, uma terra pertencente a nossa realidade, mas separada de nossa esfera por um véu mágico que separam os mundos. Também é conhecida pelos celtas como Tír na nÓg. Esse outro mundo é tangente ao nosso, o que significa que vivemos em realidades sincrônicas, o que acontece em um abala o que acontece no outro e é assim que as fadas tem o poder de moldar nosso mundo. Contudo a passagem de um para o outro nunca foi descrita como simples ou fácil, mas um fato a ser dito é que as fadas as dominam.
            
Apesar dos contos modernos, as fadas não são – e nem devem ser vistas dessa forma – seres mágicos puramente bons, dóceis e fofinhos. Pelo contrário. As mitologias mais antigas nos contam que são um povo bem arredio, tímido e muitas vezes perversos quando se sentem perturbados, ou envergonhados. Contudo, é possível fazer amizades e trabalhar em conjunto com as fadas quando as entendemos bem.
            
Assim como nós, as fadas têm seu lado obscuro. Esse lado está vinculado em primeiro às lendas que contam que as fadas, quando envergonhadas ou ofendidas, atacam com maldições e as vezes até letalmente aquele a quem elas consideram seus agressores, seja tirando suas posses, sua visão, causando loucuras ou mesmo levando a morte. As vezes punindo diretamente, outras através de intermediários. Outro fator que comprova esse lado obscuro é o senso de humor sombrio ou negro das fadas, que muitas vezes se divertem com o mal feito ou com as vergonhas humanas, por isso elas são associadas às travessuras da noite de Halloween. A esse humor travesso e punitivo, também se associa a chamada “possessão de fada” que se remete a influência direta, possessiva de uma fada sobre alguma pessoa, fazendo-a realizar grandes feitos e prodígios, ou fazerem coisas humilhantes ou mesmo enlouquecendo-a. No primeiro caso, é costume que a pessoa não se recorde de absolutamente nada do ocorrido após o término da possessão. Outro fator que contribui é a presença de várias lendas que descrevem as fadas raptando seres humanos, em sua maioria bebês e crianças para o seu mundo – não com o intuito de fazer mal a criança, mas de criá-las. Essas lendas encontram subsistência na hipótese de que as fadas não poderiam amamentar seus próprios filhos e, por isso, pegariam filhos humanos para criá-los, muitas vezes deixando seus filhos para que os humanos o criassem.
            
Os changelings (os trocados) são geralmente filhos de fadas criados como humanos, ou humanos criados como filhos de fada. Para reconhecer os primeiros, precisaremos nos remeter a sua infância. As lendas contam que os filhos de fadas quando criados por humanos são pessoas que durante a sua infância são verdadeiras pestes ambulantes, crianças insuportáveis, muitas vezes mal-educadas, travessas e impossíveis. Mais tarde quando a adulta, os dons de fada dessa criança podem começar a atuar e ela pode encontrar extrema facilidade em acessar o Outro Mundo, ou mesmo em saber de coisas que teoricamente ela não deveria saber. A pergunta que vem em seguida é como isso é possível? Uma criança fada ser criada como humana, e sua aparência? As lendas também respondem isso. Uma fada tem a habilidade da metamorfose e por isso, pode estar entre nós sem ser percebida ou reconhecida fisicamente, bem como, quando desenvolve essa habilidade, pode mudar de formas de acordo com sua vontade e necessidade.
            
Enfim, esse lado obscuro das fadas nos remetem a ideia de cuidado e respeito. Sabemos que são um povo que gosta de privacidade, liberdade, não gostam de espiões nem de intrusos em seus territórios. Assim sendo, são bem tímidas, impulsivas, arredias, travessas e perigosas. É preciso cautela e muito respeito e ponderação ao lidar com elas. Elas punem ao simples fato de se sentirem ameaçadas, e não costumam ter dó.
            
Contudo, elas também tem o outro lado, o lado benevolente e muito ligado a música (uma de suas dádivas). Elas ajudam àqueles a quem elas se simpatizam ou que demonstram respeito e benevolência para com elas. E podem ser grandes aliadas. Afinal, a elas são dadas mitologicamente o poder sobre o destino e andamento das coisas, principalmente aquelas que envolvem maturação ou sorte. Conquistar uma fada, ter seu auxílio e respeito é sempre algo muito nobre e honrado. Mas em troca você também deverá sempre agradá-las e manter a reciprocidade de “bom vizinho”, e entender suas impulsividades e genialidade difícil. Entretanto, nunca deixe-as sentir que você está sendo caridoso em “pagamento” a um serviço que elas lhe tenham prestado ou prestarão. Elas não são serviçais e detestam se sentir assim, e isso provavelmente as fariam mostrar seu pior lado.
            
Lidar com as fadas não é tarefa fácil, nem algo que se resolva com oferendas. É preciso que elas sintam confiança em suas intenções para se soltarem e mostrarem seus melhores lados, mas uma vez que isso ocorra, a parceria está feita e a simbiose passa a ser algo cotidiano, a qual não se pode descuidar. É recompensador, mas dá trabalho e leva tempo. Isso não significa que você não possa fazer agrados e mostrar seu respeito em horas e datas festivas, mas tenha sempre ciência de quem são as fadas e para além disso, no perigo e no privilégio de mexer com elas. Se você for um bom vizinho em quem elas sintam confiança, além de serem suas maiores e melhores aliadas, te ensinaram saberes preciosos que só elas possuem. Mas lembre-se, é sempre uma simbiose: uma mútua e continua troca, respeitosa e não comerciável.
           
  Os celtas chamavam as fadas de sidh (singular, sidhe, plural). Mas essa palavra nos fala mais de seu local, de suas moradas, ou dos portais até elas nesse mundo, do que das próprias fadas. Sidh, a primeiro momento, significa “colina”, e assim as fadas seriam Daoine Sidh, povo da colina. Contudo o termo pode ser mais amplo, e abrigar lugares sagrados onde as fadas vivem como colinas sagradas, cemitérios, árvores solitárias, círculos naturais (clareiras, círculos de pedras anteriores a chegada de um povo, círculo de cogumelos, enfim qualquer formação circular encontrada na natureza), túmulos antigos, templos, cachoeiras e nascentes, dentre outros. Cabe ressaltar que as fadas não são Deuses, mas em alguns casos podem ser tão poderosos quanto eles. Assim sendo, as lendas nos mostram que o desrespeito às moradas das fadas são sempre rapidamente punidos por elas. Em alguns países como Irlanda, ainda hoje é costume desviar estradas e construções para não destruir árvores ou lugares onde lendas contam da existência das fadas ali.
            
Isso nos remete uma segunda importância, a atenção ao entrar em lugares antigos e, principalmente naturais, devemos ser cautelosos sempre, pedir sempre permissão, e adentrar ao espaço com respeito e honra, nunca se sabe se ali é um sidh e se for, a última coisa que queremos é a vingança de uma fada por desrespeito ao seu espaço.

Uma coisa ainda nos resta falar. Falamos que elas podem ser agressivas e travessas, além de ter um humor negro e abduzirem pessoas e crianças (as vezes objetos e comidas). Alguma forma deve haver de proteção... E há! As lendas descrevem que as fadas não tem tolerância ao metal, sobretudo a prata. Assim sendo, objetos metálicos ou de prata podem servir de amuleto contra as influências ou ataques de uma fada, outro método bom é portar sempre um pouco de aveia consigo, as fadas não só não digerem aveia como não se aproximam quando a sentem por perto; erva-de-são-joão também é usada na proteção contra abdução pelas fadas; era habitual vestir crianças como adultos ou tampar seus rostos com máscaras e panos em noites e dias em que a proximidade com as fadas era maior (disfarçadas as crianças teriam menos chance de serem abduzidas). Contudo, o velho respeito e precaução são sempre as melhores proteções a meu ver. Além de te manterem seguro, ainda te possibilita criar um elo positivo com esses seres. Assim, além das dicas de “bom vizinho” descritas acima, os eufemismos dirigidos às fadas ajudam muito: “povo nobre”, “bom povo”, “os bons vizinhos”. Outros costumes importantes é que, nas noites em que o véu está mais tênue (Lua Azul e Samhain / Halloween) é costume avisar as fadas sempre que vai esvaziar um recipiente de água ou jogar algo no chão e afins, para evitar que as acerte e cative seu desejo de vingança...

Por fim, ao falar de fadas também falamos dos Espíritos Guardiões. Esses são seres ou espíritos mágicos – muitos deles são fadas – que guardam lugares e espaços. Acredita-se que todo local, principalmente natural ou sagrado, tenha o seu. Assim como as fadas, de seu humor e respeito dependem a (boa) estadia da pessoa naquele local. Muitas vezes, mais de um espírito podem habitar ou guardar um determinado lugar, mas eles sempre estão de olho e nada os escapa. Por isso, era um costume comum dos celtas também cultuá-los e criar sempre laços respeitosos com eles, de onde, quantos e como quer que eles fossem. Assim sendo, a dica é: nunca entre em algum território (mesmo um seu habitual) sem prestar respeito e honras ao guardião do local, bem como sem pedir sua permissão. Principalmente se esse local é sagrado, natural e/ou desconhecido. Você depende do humor, boa vontade e acolhimento desse espírito para ter uma boa e saudável estada, onde quer que seja; ou para manter um local sagrado seguro e apto para seu uso.


(também baseado na palestra de Rafael Corr no VI EBDRC, Curitiba / PR – Brasil – 2015)

Boas datas para cultuar e se aproximar das fadas:
LithaLua Azul e Samhain / Halloween (cuidado com esse dia, elas fica bem soltas e travessas).

Por Ávillys d'Avalon.

domingo, 19 de abril de 2015

Instrumentos básicos de um bruxo

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É natural que um bruxo novato fique fascinado ou assustado com a quantidade e variedade de instrumentos que podem servir-lhe ritualisticamente. E não pretendo aqui listá-los em sua totalidade, até porque são inúmeros. Contudo, espero falar de alguns itens indispensáveis no armário, baú ou altar de um bruxo.

Athame: o athame é uma adaga, aparentemente de duplo corte, mas sem corte de fato. Geralmente podendo ser feita de metal ou madeira. Ela simboliza o falo e pode ser atribuída ao elemento Ar, dentro da lógica elementar grega. Sua função primeira é atuar como divisora de energias, uma adaga capaz de cortar e separar energias e, logo em seguida, tem o poder invocador e direcionador. Minha indicação é que ela seja feita de metal para também poder atuar como instrumento mágico de defesa do bruxo, pois o metal queima, fere, matéria mágico-energética. Ou seja, caso um espírito ou ser perverso venha a sensibilizar um bruxo ou outrem sobre sua tutela, o athame poderá servir como arma de defesa, banimento e ataque, intimidando o ser pertubardor a se retirar e/ou obedecer o bruxo. Mas não a use levianamente, pois lembre-se que a magia também cobra: positivo se paga com positivo e negativo com negativo. Alguns dirão que o athame deve ter sua medida, ou seja, deve medir exatamente da ponta do seu dedo médio de sua mão direita, até seu cotovelo, sendo o antebraço a medida precisa da lâmina. Dou crédito que instrumentos contendo suas medidas podem dar mais poder e controle sobre objeto, mas não vejo isso como uma regra a ser irrevogavelmente seguida. Acho que o objeto escolhe seu dono, e nesse sentido sua preocupação mínima deverá ser en mantê-lo limpo, protegido e energizado; no caso do athame, que ele tenha bainha (mesmo que você a faça) e seja preservado sempre limpo e em bom estado. O athame pode ser substituído por sua equivalente, a espada.

Varinha: a varinha ou o bastão é um instrumento complementar ao athame. Enquanto o athame divide as energias, a varinha sela, atuando como uma chave que sela e abre energias. Está relacionada ao elemento Fogo na perspectiva grega e pode atuar na condução e consolidação energética. As indicações é que ela seja de madeira, preferencialmente de uma árvore com boas propriedades mágicas e, se possível tendo a maderia sido retirada pelo bruxo após o consentimento da árvore e dos seres que vivem ali. Para issi, faça uma oferenda doce naquele local e se aproxime da árvore até sentir uma resposta favorável a sua demanda. Suas medidas i diticativas é igualmente da ponta de seu dedo médio da mão esquerda até seu cotovelo. Tendo o punho do tamanho de sua mão e o cabo do tamanho de seu antebraço. Mas novamente é o instrumento que escolhe o bruxo. Você pode enfeitar sua varinha como quiser, mas deve mantê-la sempre asseada e consagrada. Ela pode ser rústica ou entalhada, fica ao gosto do bruxo. Pode ser substituida pelo cajado.

Caldeirão: simboliza o útero e representaria a Água nos elementos gregos. Ao contrário do que se imagina, o bruxo não faz poção no caldeirão, até se pode, mas essas fazem parte da cozinha diária de um bruxo. Usamos o caldeirão como uma maneira prática de fazermos uma fogueira controlada a partir da queima do combustível preparado para isso, o Elixir de Fogo, feito a base de álcool. Nesse sentido, o caldeirão atua como um portal mágico entre esse e o outro mundo, de acordo com a (in)evocação do bruxo que o conduz. O caldeirão deve ser tripé por uma questão prática: o tripé se colocado em cima de azulejos, permitirá a circulação do ar abaixo do caldeirão aceso, evitando estourar o piso ou manchá-lo, mas panelas sem o tripé podem ser usadas, mas devem ser isolados do piso por pedras e afins. Eu recomendo que o caldeirão seja preto e de ferro para facilitar sua limpeza, mas caldeirões de alumínio reforçado também podem ser bem interessantes, apesar da dificuldade em limpá-los após a queima. Caldeirões de barro são legais, mas são frágeis no transporte. Os de pedra são perfeitos, mas são muito pesados. Já os de cobre e latão podem não ter boa resistência ao fogo e ao calor. Lembre-se que o caldeirão de fogo é o centro dos rituais, ele é o portal e o local onde a magia é "gerada" e transformada e de onde será direcionada. Por isso limpe-o corretamente sempre que o usar e mantenha-o sempre consagrado.

Cálice: podendo ser canecas estilizadas, chifres próprios para servirem como recipientes de bebida e afins. Tem a mesma representação do caldeirão e serve para comportar a libação ritualística. É legal que você compre seu cálice pensando na divindade com a qual tem mais afinidade e consagre-o a ela, pois assim ele será um eterno condutor entre você e a divindade consagrada. Pode ser do material mais apropriado, mas evite o plástico. Mantenha-o sempre asseado e consagrado.

Prato de oferendas: alguns preferem usar um pentáculo (um prato com um pentagrama circunscrito desenhado), mas eu acho que um prato pensado para ser ritualístico basta. Ele serve para você depositar suas oferendas e encaminhá-las posteriormente. Simboliza a Terra nos elementos gregos e também atua como um portal. Evite o plástico e mantenha-o sempre limpo e consagrado.

Besom: ou heskuvyta, é a vassoura mágica. Sua função é a limpeza energética e também representa o falo. Ela pode ser de palha, de ervas ou tradicional. Mas deve ser enfeitada de acordo com os gostos do bruxo.

Instrumentos de divinações: nem todo bruxo tem apitidão para a "nobre arte da adivinhação"... mas todos devem ter ao menos um método divinatório a que possam recorrer, caso precisem. Entre eles estão os pêndulos, tarot, runas... Há muita variedade, por isso escolha o que mais te é simpático e aprofunde-se nele. E, se quiser e achar bom, tenha até mais de um oráculos a que possa e saiba consultar.

Indumentária: separe uma roupa exclusiva para sua prática mágica, seja uma túnica, roupas estilizadas, ou uma comum ao nosso tempo e cultura. Mas que seja uma roupa, jóias e afins a serem utilizados apenas em decorrência de situações mágicas ou ritualísticas. A indumentária evita o contágio negativo de energias do nosso dia a dia e ainda condiciona o nosso subconsciênte a importância da prática que está acontecendo. Mantenha sua indumentária sempre limpa, apresentável e consagrada.

Amuletos: podem ser dos mais variados tipos, chaves, pedras, patuás, objetos. E devem desempenhar a função a que foram desempenhados,  para isso, só os use quando de fato precisar deles. Eles tem vida útil, e quando se sobrecarregarem poderão se romper, desaparecer ou até quebrarem. Nesse caso, queime-os ou os jogue em água corrente. Evite wue outros toquem e, principalmente, usem seus amuletos.

Turíbulo, incenso, velas e defumadores: fazem parte da prática mágica e de purificação e devem ser usados conforme  necessidade e preferência do bruxo.

Altar: é o espaço de referência ao sagrado e ao Outro Mundo dentro da casa ou quarto do bruxo. Deve ser montado de acordo com seu dono, elencanto elementos que simbolizem a  conexão do bruxo com o sagrado por ele professado. Se você não puder ter um altar, não se preocupe. A natureza é o nosso maior templo e nosso mais digno altar.

Faça consagrações periódicas em seus objetos, use-os com respeito e apenas para a função que você os atribuiu. Você pode dar nomes a eles para intensificar seu controle e a energia por eles desempenhada. E lembre-se tudo tem vida útil. Quando seu objeto se danificar ou sumir de vez, provavelmente ele desempenhoh todo o papel e potencial que poderia. Se possível, dê um fim devido, digno e honrado a ele. Mas você pode prolongar essa vida útil se o purificar e consagrar regularmente, além de cuidar dele física e energéticamente.


CONSAGRANDO UM OBJETO MÁGICO:

Para  consagrar  um  objeto  primeiro  você  precisa  saber  sobre  ele:  de  que  é  feito, para  que  você  o  usará  e  qual  a  sua  procedência  (por  onde  ele  passou  antes).  Obviamente que  não  poderemos  saber  de  tudo,  mas  alguma  coisa  é  necessário  que  saibamos  de  cada um desses passos. 

Se  o  objeto  tiver  vínculo  ou  seu  uso  se  vincular  com  a  energia  solar,  ele  deverá ser  consagrado  de  maneira  a  pegar  pelo  menos  3  horas  da  luz  /    energia  solar, preferencialmente em um dia de domingo de céu limpo. 

Se,  no  caso,  o  vínculo  ou  utilização  for  lunar,  o  mesmo  deverá  ser  feito  sobre  o luar.  Nesse  caso  é  importante  saber  articular  o  objeto  e  sua  finalidade  com  a  fase  correta da  lua.  A  maioria  se  articula  com  a  lua  plena,  mas  essa  regra  nem  sempre  se  aplica. Objetos  destinados  a  busca  de  conquistas  e  vitórias,  ou  a  jornadas  a  serem  percorridas, se  enquadram  melhor  sobre  a  lua  crescente.  Objetos  cuja  finalidade  é  usar  ou  conectarse  ao  seu  poder  (ou  usá-los  como  mediadores  para  tal),  possivelmente  são  melhores articulados  na  lua  plena.  E  objetos  destinados  a  remoção,  limpeza,  banimento, erradicação  de  algo,  se  relacionam  melhor  com  a  lua  minguante.  Já  os  objetos destinados  a  vidência  e  ao  Outro  Mundo  ou  passagens  transformadoras,  tem  seu  espaço na lua escura.

 O  procedimento  é  bem  simples.  Você  deverá  aspergir  ou  banhar  o  objeto  usando suas  mãos  com água  salgada  (mesmo  processo  do  item  anterior)  (caso  seja  algo  que  não se  possa  molhar,  passe  leve  e  sutilmente  água  salgada  sobre  o  objeto).  Depois  você deverá  passar  o  objeto  sobre  a  fumaça  do  incenso  mentalizando  as  propriedades  que quer  que  ele  desenvolva  para  você.  Ao  final,  se  o  objeto  puder  ficar  submerso  em  água (cuidado  com  itens  que  possam  enferrujar),  você  deverá  deixá-lo  em  água  curtindo minimamente  3  horas  da  energia  que  lhe  é  auspiciosa.  Caso  ele  não  possa  ficar  imerso, o exponha fora da água. 

Esse  procedimento  pode  ser  refeito  sempre  que  necessário.  Mas  lembre-se,  ele tenderá  a  limpar  todas  as  energias  anteriores  do  objeto.  Isso  pode  até  prorrogar  sua duração,  mas  limpará  consagrações  passadas.  Fora  isso,  esteja  atento,  todo  objeto  tem seu  limite  de  exposição  mágico-energética.  Em  um  dado  momento  o  objeto  se  romperá, indicando  que  ele  já  realizou  todo  o  trabalho  que  era  capaz. 


Paz e bênçãos!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Sexta-feira 13


(A data "sexta-feira 13" pode aparecer em alguns países - como Espanha - como "terça-feira 13". O motivo disso é que o calendário usado na época - 1307 - era o chamado Calendário Gregoriano, que apresentava clara distorções. Essas distorções podem provocar essas duplas interpretações como sendo terça ou sexta-feira. O importante é seguir sua intuição, entender a história do dia, e honrar / celebrar com o coração. Aqui eu adoto "Sexta-feira 13", pois é assim que é usado onde vivo, e por isso tem mais atuação no meu consciente e subconsciente)

Hoje é sexta-feira 13, um dia muito complicado e confuso pelas várias superstições que existem em torno dele. Mas os bruxos e bruxas devem se lembrar: esse não é um dia de festa.

Quando afirmamos "amar a sexta-feira 13", ou que ela nos é um dia de sorte, podemos ter razão e estarmos certos em falar isso. Mas devemos nos lembrar porquê.

Em 14 de setembro de 1307, pressionado pelo medo aos Templários e seu poder, e pelo Rei Francês Felipe, o Belo; o Papa Clemente V sancionou a ordem de caça e prisão aos Templários franceses e espalhados pelo mundo. A Ordem foi emitida com restrições para só ser aberta e executada em 13 de outubro de 1307, uma sexta-feira 13. Assim, no dia 13 de outubro de 1307, milhares de Templários foram caçados, mortos, presos, torturados e a maioria dos sobreviventes condenados a fogueira pela Igreja (ICAR).

O azar atribuído a esse dia, refere-se ao que aconteceu aos Templários e a energia negativa que esse dia deixou por essa razão. Pois os Templários eram aliados da ICAR, e davam a ela conquistas e poderes, recebendo em troca apenas o reconhecimento de sua Ordem e sua livre circulação pela Europa (já que a intolerância da Igreja já eram um fato). Assim, os crentes desse azar continuam a propagar intolerâncias (antigas e novas). Um bom exemplo disso é o temor / intolerância a gatos pretos. Isso é algo que devemos evitar e combater. 

Desse modo, a sexta-feira 13, para quem de fato a compreende, é uma data de luto e lembrança pelo massacre católico. E tornou-se não apenas um luto pelos Templários, mas um luto por todos que morreram pela crueldade, desrespeito, medo, intolerância e sede de poder da ICAR. Ou seja, também é luto pelos bruxos e bruxas, nossos ancestrais, mortos na Inquisição. E eu estendo isso um pouco mais: é luto por todos os mortos vítimas pela intolerância religiosa pelo mundo.

E é isso que devemos ter em mente nesse dia. Afirmar que é um dia de sorte é correto. Amar a sexta-feira 13 também. Desdes que vivida em luto. O porquê? Simples. A ICAR tentou destruir, e queimar os conhecedores das verdades ocultas, os bruxos, e tantos outros. Mas sobrevivemos! Estamos aqui e a tona, espalhados pelo mundo e recuperando nossas forças e poder. Nem todo o poderio usado na intenção de nos destruir no passado foi forte o suficiente para isso. E ao lembrar disso, devemos nos unir e "dizer": "nem todo poderio usado hoje na mesma tentativa terá sucesso".

Por isso, a sexta-feira 13 também é um dia celebrativo. Um dia de mártir!


CELEBRANDO E HONRANDO A DATA:

Minha recomendação para vocês é que, a noite, em casa, acendam uma vela preta (quem não tiver pode ser uma branca), simbolizando o luto pelo dia. Acendam também uma vela branca (uma segunda para quem não tiver a preta), simbolizando os viventes e descendentes dos mortos pela crueldade e intolerância religiosa (aqui não só na Inquisição e não só  nós, mas todos que se encaixam nesse perfil). A vela branca também será um apelo pelo fim dessas guerras. Por fim, acendam uma vela roxa (quem não tiver, pode ser uma terceira branca), representando o nosso poder e a nossa magia, os mistérios que a intolerância, medo, desrespeito e busca pelo poder dos demais os impede de ver/sentir e compreender. Coloque junto um incenso de sua preferência. Então medite um pouco e deixe as velas queimarem até o fim. 

Paz e Bênçãos!