domingo, 19 de abril de 2015

Instrumentos básicos de um bruxo

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É natural que um bruxo novato fique fascinado ou assustado com a quantidade e variedade de instrumentos que podem servir-lhe ritualisticamente. E não pretendo aqui listá-los em sua totalidade, até porque são inúmeros. Contudo, espero falar de alguns itens indispensáveis no armário, baú ou altar de um bruxo.

Athame: o athame é uma adaga, aparentemente de duplo corte, mas sem corte de fato. Geralmente podendo ser feita de metal ou madeira. Ela simboliza o falo e pode ser atribuída ao elemento Ar, dentro da lógica elementar grega. Sua função primeira é atuar como divisora de energias, uma adaga capaz de cortar e separar energias e, logo em seguida, tem o poder invocador e direcionador. Minha indicação é que ela seja feita de metal para também poder atuar como instrumento mágico de defesa do bruxo, pois o metal queima, fere, matéria mágico-energética. Ou seja, caso um espírito ou ser perverso venha a sensibilizar um bruxo ou outrem sobre sua tutela, o athame poderá servir como arma de defesa, banimento e ataque, intimidando o ser pertubardor a se retirar e/ou obedecer o bruxo. Mas não a use levianamente, pois lembre-se que a magia também cobra: positivo se paga com positivo e negativo com negativo. Alguns dirão que o athame deve ter sua medida, ou seja, deve medir exatamente da ponta do seu dedo médio de sua mão direita, até seu cotovelo, sendo o antebraço a medida precisa da lâmina. Dou crédito que instrumentos contendo suas medidas podem dar mais poder e controle sobre objeto, mas não vejo isso como uma regra a ser irrevogavelmente seguida. Acho que o objeto escolhe seu dono, e nesse sentido sua preocupação mínima deverá ser en mantê-lo limpo, protegido e energizado; no caso do athame, que ele tenha bainha (mesmo que você a faça) e seja preservado sempre limpo e em bom estado. O athame pode ser substituído por sua equivalente, a espada.

Varinha: a varinha ou o bastão é um instrumento complementar ao athame. Enquanto o athame divide as energias, a varinha sela, atuando como uma chave que sela e abre energias. Está relacionada ao elemento Fogo na perspectiva grega e pode atuar na condução e consolidação energética. As indicações é que ela seja de madeira, preferencialmente de uma árvore com boas propriedades mágicas e, se possível tendo a maderia sido retirada pelo bruxo após o consentimento da árvore e dos seres que vivem ali. Para issi, faça uma oferenda doce naquele local e se aproxime da árvore até sentir uma resposta favorável a sua demanda. Suas medidas i diticativas é igualmente da ponta de seu dedo médio da mão esquerda até seu cotovelo. Tendo o punho do tamanho de sua mão e o cabo do tamanho de seu antebraço. Mas novamente é o instrumento que escolhe o bruxo. Você pode enfeitar sua varinha como quiser, mas deve mantê-la sempre asseada e consagrada. Ela pode ser rústica ou entalhada, fica ao gosto do bruxo. Pode ser substituida pelo cajado.

Caldeirão: simboliza o útero e representaria a Água nos elementos gregos. Ao contrário do que se imagina, o bruxo não faz poção no caldeirão, até se pode, mas essas fazem parte da cozinha diária de um bruxo. Usamos o caldeirão como uma maneira prática de fazermos uma fogueira controlada a partir da queima do combustível preparado para isso, o Elixir de Fogo, feito a base de álcool. Nesse sentido, o caldeirão atua como um portal mágico entre esse e o outro mundo, de acordo com a (in)evocação do bruxo que o conduz. O caldeirão deve ser tripé por uma questão prática: o tripé se colocado em cima de azulejos, permitirá a circulação do ar abaixo do caldeirão aceso, evitando estourar o piso ou manchá-lo, mas panelas sem o tripé podem ser usadas, mas devem ser isolados do piso por pedras e afins. Eu recomendo que o caldeirão seja preto e de ferro para facilitar sua limpeza, mas caldeirões de alumínio reforçado também podem ser bem interessantes, apesar da dificuldade em limpá-los após a queima. Caldeirões de barro são legais, mas são frágeis no transporte. Os de pedra são perfeitos, mas são muito pesados. Já os de cobre e latão podem não ter boa resistência ao fogo e ao calor. Lembre-se que o caldeirão de fogo é o centro dos rituais, ele é o portal e o local onde a magia é "gerada" e transformada e de onde será direcionada. Por isso limpe-o corretamente sempre que o usar e mantenha-o sempre consagrado.

Cálice: podendo ser canecas estilizadas, chifres próprios para servirem como recipientes de bebida e afins. Tem a mesma representação do caldeirão e serve para comportar a libação ritualística. É legal que você compre seu cálice pensando na divindade com a qual tem mais afinidade e consagre-o a ela, pois assim ele será um eterno condutor entre você e a divindade consagrada. Pode ser do material mais apropriado, mas evite o plástico. Mantenha-o sempre asseado e consagrado.

Prato de oferendas: alguns preferem usar um pentáculo (um prato com um pentagrama circunscrito desenhado), mas eu acho que um prato pensado para ser ritualístico basta. Ele serve para você depositar suas oferendas e encaminhá-las posteriormente. Simboliza a Terra nos elementos gregos e também atua como um portal. Evite o plástico e mantenha-o sempre limpo e consagrado.

Besom: ou heskuvyta, é a vassoura mágica. Sua função é a limpeza energética e também representa o falo. Ela pode ser de palha, de ervas ou tradicional. Mas deve ser enfeitada de acordo com os gostos do bruxo.

Instrumentos de divinações: nem todo bruxo tem apitidão para a "nobre arte da adivinhação"... mas todos devem ter ao menos um método divinatório a que possam recorrer, caso precisem. Entre eles estão os pêndulos, tarot, runas... Há muita variedade, por isso escolha o que mais te é simpático e aprofunde-se nele. E, se quiser e achar bom, tenha até mais de um oráculos a que possa e saiba consultar.

Indumentária: separe uma roupa exclusiva para sua prática mágica, seja uma túnica, roupas estilizadas, ou uma comum ao nosso tempo e cultura. Mas que seja uma roupa, jóias e afins a serem utilizados apenas em decorrência de situações mágicas ou ritualísticas. A indumentária evita o contágio negativo de energias do nosso dia a dia e ainda condiciona o nosso subconsciênte a importância da prática que está acontecendo. Mantenha sua indumentária sempre limpa, apresentável e consagrada.

Amuletos: podem ser dos mais variados tipos, chaves, pedras, patuás, objetos. E devem desempenhar a função a que foram desempenhados,  para isso, só os use quando de fato precisar deles. Eles tem vida útil, e quando se sobrecarregarem poderão se romper, desaparecer ou até quebrarem. Nesse caso, queime-os ou os jogue em água corrente. Evite wue outros toquem e, principalmente, usem seus amuletos.

Turíbulo, incenso, velas e defumadores: fazem parte da prática mágica e de purificação e devem ser usados conforme  necessidade e preferência do bruxo.

Altar: é o espaço de referência ao sagrado e ao Outro Mundo dentro da casa ou quarto do bruxo. Deve ser montado de acordo com seu dono, elencanto elementos que simbolizem a  conexão do bruxo com o sagrado por ele professado. Se você não puder ter um altar, não se preocupe. A natureza é o nosso maior templo e nosso mais digno altar.

Faça consagrações periódicas em seus objetos, use-os com respeito e apenas para a função que você os atribuiu. Você pode dar nomes a eles para intensificar seu controle e a energia por eles desempenhada. E lembre-se tudo tem vida útil. Quando seu objeto se danificar ou sumir de vez, provavelmente ele desempenhoh todo o papel e potencial que poderia. Se possível, dê um fim devido, digno e honrado a ele. Mas você pode prolongar essa vida útil se o purificar e consagrar regularmente, além de cuidar dele física e energéticamente.


CONSAGRANDO UM OBJETO MÁGICO:

Para  consagrar  um  objeto  primeiro  você  precisa  saber  sobre  ele:  de  que  é  feito, para  que  você  o  usará  e  qual  a  sua  procedência  (por  onde  ele  passou  antes).  Obviamente que  não  poderemos  saber  de  tudo,  mas  alguma  coisa  é  necessário  que  saibamos  de  cada um desses passos. 

Se  o  objeto  tiver  vínculo  ou  seu  uso  se  vincular  com  a  energia  solar,  ele  deverá ser  consagrado  de  maneira  a  pegar  pelo  menos  3  horas  da  luz  /    energia  solar, preferencialmente em um dia de domingo de céu limpo. 

Se,  no  caso,  o  vínculo  ou  utilização  for  lunar,  o  mesmo  deverá  ser  feito  sobre  o luar.  Nesse  caso  é  importante  saber  articular  o  objeto  e  sua  finalidade  com  a  fase  correta da  lua.  A  maioria  se  articula  com  a  lua  plena,  mas  essa  regra  nem  sempre  se  aplica. Objetos  destinados  a  busca  de  conquistas  e  vitórias,  ou  a  jornadas  a  serem  percorridas, se  enquadram  melhor  sobre  a  lua  crescente.  Objetos  cuja  finalidade  é  usar  ou  conectarse  ao  seu  poder  (ou  usá-los  como  mediadores  para  tal),  possivelmente  são  melhores articulados  na  lua  plena.  E  objetos  destinados  a  remoção,  limpeza,  banimento, erradicação  de  algo,  se  relacionam  melhor  com  a  lua  minguante.  Já  os  objetos destinados  a  vidência  e  ao  Outro  Mundo  ou  passagens  transformadoras,  tem  seu  espaço na lua escura.

 O  procedimento  é  bem  simples.  Você  deverá  aspergir  ou  banhar  o  objeto  usando suas  mãos  com água  salgada  (mesmo  processo  do  item  anterior)  (caso  seja  algo  que  não se  possa  molhar,  passe  leve  e  sutilmente  água  salgada  sobre  o  objeto).  Depois  você deverá  passar  o  objeto  sobre  a  fumaça  do  incenso  mentalizando  as  propriedades  que quer  que  ele  desenvolva  para  você.  Ao  final,  se  o  objeto  puder  ficar  submerso  em  água (cuidado  com  itens  que  possam  enferrujar),  você  deverá  deixá-lo  em  água  curtindo minimamente  3  horas  da  energia  que  lhe  é  auspiciosa.  Caso  ele  não  possa  ficar  imerso, o exponha fora da água. 

Esse  procedimento  pode  ser  refeito  sempre  que  necessário.  Mas  lembre-se,  ele tenderá  a  limpar  todas  as  energias  anteriores  do  objeto.  Isso  pode  até  prorrogar  sua duração,  mas  limpará  consagrações  passadas.  Fora  isso,  esteja  atento,  todo  objeto  tem seu  limite  de  exposição  mágico-energética.  Em  um  dado  momento  o  objeto  se  romperá, indicando  que  ele  já  realizou  todo  o  trabalho  que  era  capaz. 


Paz e bênçãos!